Grupo Planalto de comunicação

Uso sustentável como forma de preservar os recursos naturais

Projeto de extensão dos cursos de Ciências Biológicas da UPF apoia a realização de turismo ecológico em trilhas da região. Perspectiva é que essa atividade possa ser desenvolvida por um longo período com baixo impacto aos recursos naturais

Passear por trilhas, em meio à diversidade biológica, é uma atividade prazerosa e que vem atraindo turistas para nossa região. Por outro lado, se não for realizada de forma sustentável, a prática pode degradar a natureza, pois a simples passagem de um grupo numeroso de pessoas sobre uma trilha pode causar impacto negativo. Nesse contexto, o projeto de extensão Apoio ao uso público em Unidades de Conservação e áreas de preservação, dos cursos de bacharelado e licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade de Passo Fundo (UPF), se propõe a auxiliar a comunidade regional. Por meio da iniciativa, professores e acadêmicos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UPF) desenvolvem trilhas ecológicas que valorizam e promovem a conservação dos recursos naturais, além de incentivarem o turismo ecológico, apoiando ações de desenvolvimento regional.

Em funcionamento há aproximadamente cinco anos, o projeto é desenvolvido em trilhas pré-existentes. “Não abrimos trilhas, porque entendemos que em nossa região já há bastante impacto. A retirada de madeira e a criação de gado, por exemplo, ocasionaram a degradação de várias áreas”, relata a coordenadora do projeto, professora Dra. Carla Tedesco. A fim de fazer uso sustentável, proprietários e gestores de locais considerados áreas de preservação (conforme a lei nº 12.651/12 do Código Florestal) e de Unidades de Conservação (de acordo com a lei federal nº 9.985/2000) buscam no projeto subsídios para promoverem a visitação de forma sustentável. A iniciativa articula-se ao Centro de Ciências e Tecnologias Ambientais (CCTAM), da Vice-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários.

Entre os locais já atendidos ou em atendimento, estão o Parque Natural Municipal de Sertão, a Fazenda da Brigada Militar, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Maragato e Menino Deus e a Fazenda Tropeiro Camponez, em Passo Fundo, a Ervateira Pagnussat, na Rota das Salamarias, e a Estância Lopes, no Caminho das Águas e Sabores, ambas em Marau, e a Cascata do Maringá, em Vila Maria, entre outras áreas de Passo Fundo, nos distritos de Bela Vista e Burro Preto, bem como no município de Chapada e no Campus I da UPF. A coordenadora explica que são atendidas de duas a quatro propriedades por ano. Além da professora Carla, integram o projeto as professoras Dra. Noeli Zanella e Dra. Gladis Hermes Thome e os estagiários Laís Sangalli e João Paulo Soares, que contam com a colaboração de outros docentes e alunos dos cursos de Ciências Biológicas.

Além de descrever e analisar a biodiversidade presente em cada localidade, os integrantes do projeto avaliam quantas pessoas caminhantes podem passar por cada trilha diariamente, em uma perspectiva de causar o menor impacto possível. “Sugerimos traçados em que a ida e a volta sejam percorridas sem passar pelo mesmo caminho, considerando que a compactação do solo é o maior dano que deixamos nas trilhas”, explica a professora Carla. O projeto indica ainda atrativos nesses caminhos. “Recursos hídricos, vegetação com singularidades, como bromélias e orquídeas, e vestígios de fauna, estão entre os principais atrativos da natureza em nossa região”, descreve. Todas essas informações são repassadas aos responsáveis por meio de um relatório técnico.

A fim de capacitar os proprietários e gestores desses locais, o projeto busca viabilizar um curso de monitores. Entre os planos dos integrantes do projeto, está ainda relacionar suas iniciativas com outras áreas do conhecimento, como ciências humanas e agrárias.

O turismólogo Paulo César Dal Paz acompanhou a atuação do projeto junto à Estância Lopes e à Ervateira Pagnussat. Dal Paz acredita que essas orientações são fundamentais para a atividade turística consciente. “Somos muito gratos pela parceria. Por meio do projeto, adquirimos conhecimentos e técnicas para desenvolver turismo sustentável”, ressalta.

Um olhar diferente sobre a conservação
Estudante de Ciências Ambientais da Universidade de Barcelona, o italiano Leonardo Capitani Zanoli escolheu realizar seu Trabalho de Conclusão de Curso na UPF. O acadêmico pesquisa, neste primeiro semestre de 2014, o uso público de áreas protegidas em Passo Fundo e Sertão. O trabalho avalia o impacto da presença do ser humano nessas áreas, em uma abordagem não apenas biológica, mas também histórica e cultural.

Com a pesquisa em fase adiantada, o estudante acredita no uso sustentável desses espaços naturais. “Precisamos conservar não apenas porque dependemos de recursos, como água, solo, vegetação e fauna. Devemos preservar porque fazemos parte desses ambientes, somos uma dessas espécies, e é nesses lugares que construímos nossa história e a nossa cultura”, conclui Zanoli. O trabalho será apresentado na Universidade de Barcelona em 15 de setembro.

Facebook
Twitter
WhatsApp