Os objetivos, dificuldades e necessidades dos imigrantes que chegam a Passo Fundo e região estiveram em debate nesSa terça-feira, 19. A roda de conversa, denominada “O assistente social e os imigrantes: conhecer realidades para construir caminhos” foi promovida pelo Núcleo de Assistentes Sociais do Conselho Regional de Serviço Social – 10ª Região e pelo curso de Serviço Social da Universidade de Passo Fundo (UPF). Além de propiciar reflexões sobre a temática da imigração, o evento se destinou a integrar profissionais e estudantes da área, em função da passagem do Dia do Assistente Social, celebrado em 15 de maio. A atividade ocorreu no Anfiteatro da Faculdade de Medicina da UPF.
Participaram roda de conversas a coordenadora do curso de Serviço Social da UPF, Giovana Henrich, o coordenador do projeto de extensão UPF e movimentos sociais: desafios das relações étnico-raciais, Frederico Santos dos Santos, a acadêmica de Serviço Social e estagiária do projeto Renata Rescke do Nascimento e o representante do Fórum de Mobilidade Humana de Passo Fundo e imigrante bengali Akram Hossain. Em debate, esteve a realidade de quem sai da Ásia, África e Caribe em busca de trabalho e melhores condições de vida no Brasil.
Hossain relatou que formou-se em Serviço Social em Bangladesh, mas optou por sair do país pela falta de oportunidades de trabalho. A partida ocorreu em 2013 e, antes do Brasil, o imigrante passou por Dubai, Argentina e Bolívia. Já em nosso país, Hossain esteve em cidades do Mato Grosso e Paraná antes de chegar a Passo Fundo. Diferenças de idioma, cultura e falta de referências sobre onde buscar informações estiveram entre as dificuldades relatadas pelo imigrante, que também foi vítima de golpes durante essa trajetória. Apesar dos obstáculos, o Hossain está gostando de viver no Brasil. “A maioria das pessoas nos ajudam, são amigas. Aqui há muitas oportunidades de trabalho. Os salários poderiam ser melhores, mas ninguém fica sem emprego”, considerou o imigrante.
O professor Frederico dos Santos levantou reflexões sobre a dificuldade de uma sociedade aceitar o diferente. “A cultura é como uma lente, por meio da qual enxergamos o mundo. Quando alguém diferente chega, desperta a atenção. A tendência é que o diferente se descaracterize ou seja excluído”, declarou o coordenador do projeto de extensão. Para evitar isso, a estudante Renata Rescke do Nascimento desenvolve, durante estágio supervisionado, um projeto de intervenção com o objetivo de promover um olhar de igualdade para os imigrantes.
Foto: Assessoria UPF.