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Viroses no verão: por que os casos aumentam e como se proteger? Infectologista do Hospital São Vicente de Paulo esclarece as principais dúvidas sobre o problema que costuma atrapalhar as férias

Foto: Ana Paula Koenemann - Comunicação HSVP

Com a chegada do verão e do período de férias, aumentam as viagens, as aglomerações e o contato com ambientes que favorecem a circulação de vírus. O resultado é um crescimento significativo dos casos de viroses, especialmente entre pessoas que passam dias no litoral e acabam tendo os planos interrompidos por sintomas como diarreia, vômitos e mal-estar.

Para ajudar a população a entender melhor o que são as viroses, como identificar os sintomas, quando procurar atendimento médico e, principalmente, como prevenir a doença, o médico infectologista Dr. Gilberto Barbosa, integrante do Corpo Clínico do Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, responde às principais dúvidas sobre o tema na entrevista a seguir.

1. O que é uma virose?
O termo “virose” é bastante amplo. Ele se refere a infecções causadas por vírus, que podem atingir diferentes partes do organismo. As mais comuns são as infecções respiratórias, como rinite, sinusite e infecções de garganta, e as infecções do trato digestivo, como as diarreias. Esses quadros representam uma grande parte das doenças infecciosas do dia a dia.

2. Existe relação entre virose e época do ano?
As viroses acontecem durante todo o ano, mas alguns tipos são mais frequentes em determinadas estações. A gripe, por exemplo, ocorre mais no frio, porque as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados e o vírus se dissemina com mais facilidade. Já as viroses intestinais são mais comuns no calor, quando há maior risco de contaminação por água e alimentos.

3. Por que as viroses são tão comuns no litoral durante o verão?
No litoral, há uma maior circulação de pessoas, vindas de diferentes regiões geográficas, o que favorece a disseminação de agentes infecciosos variados, além da tendência de maior aglomeração. Também há um aumento no consumo de alimentos fora de casa. Além disso, a água de consumo e a utilizada para banho (mar ou piscinas) podem estar contaminadas. As viroses intestinais se espalham facilmente por água contaminada, alimentos mal conservados e pelas mãos, o que explica os surtos familiares tão comuns nessa época.

4. A poluição das praias aumenta o risco?
Sem dúvida. Em locais onde há lançamento de esgoto no mar, aumenta não apenas o risco de viroses, mas também de infecções bacterianas intestinais, como as causadas pela salmonela. Isso representa um risco importante para os veranistas.

5. Quais são os sintomas mais comuns das viroses intestinais?
Os sintomas mais frequentes são náuseas, vômitos, diarreia, mal-estar geral e febre. A desidratação é uma complicação comum, especialmente se os sintomas forem intensos ou prolongados. Em casos mais graves, pode haver tontura ou até desmaios.

6. Quando é necessário procurar atendimento médico?
Depende do caso. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas ou baixa imunidade devem procurar atendimento mais cedo, preferencialmente nas primeiras 24 horas. Adultos saudáveis devem, inicialmente, manter uma boa hidratação, com água e soro via oral. No entanto, é importante buscar ajuda médica se houver febre persistente por mais de 24 a 48 horas, diarreia ou vômitos muito frequentes, sinais de desidratação ou se sintomas leves não melhorarem após alguns dias (de três a cinco dias).

7. Quanto tempo costuma durar uma virose?
Na maioria dos casos, as viroses intestinais são autolimitadas e duram cerca de 48 a 72 horas, podendo chegar a até cinco dias. Geralmente, os sintomas diminuem progressivamente, sem necessidade de tratamento específico.

8. Existe tratamento específico para virose?
Não existe tratamento antiviral para a maioria dessas viroses. O principal cuidado é a hidratação, de preferência com soro de reidratação oral, que repõe líquidos e sais minerais perdidos. Apenas água não é suficiente.

9. Como prevenir as viroses?
A principal medida é a higienização das mãos, especialmente após usar o banheiro, antes das refeições e durante o preparo de alimentos. Também é importante evitar alimentos mal cozidos, cuidar da procedência da água e ter atenção ao consumo de gelo em bebidas, evitando seu uso se a origem for duvidosa. Ambientes limpos e cuidados no manuseio dos alimentos fazem toda a diferença.

10. A vacinação ajuda a prevenir?
Sim. A vacina contra o rotavírus, aplicada nos primeiros meses de vida, reduziu drasticamente as hospitalizações e mortes por gastroenterites em crianças no Brasil. Manter o calendário vacinal em dia é fundamental para a prevenção.

11. Como diferenciar uma infecção viral de uma bacteriana?
Nem sempre é possível diferenciar apenas pelos sintomas, mas alguns sinais sugerem infecção bacteriana: febre persistente, dor abdominal intensa, presença de sangue ou pus nas fezes e diarreia com duração superior a cinco dias. Nesses casos, exames laboratoriais ajudam a confirmar o diagnóstico.

12. Qual a mensagem final para a população?
A prevenção é sempre o melhor caminho. Cuidar da higiene das mãos, da água consumida, dos alimentos e manter a vacinação em dia reduz significativamente o risco de viroses. Pequenas atitudes fazem grande diferença para proteger a saúde, especialmente durante as férias.

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