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270 anos da morte de Sepé Tiaraju: o dono desta terra rio-grandense

Reprodução/CNBB

Neste 7 de fevereiro de 2026, completam-se 270 anos da morte de Sepé Tiaraju, uma das figuras mais emblemáticas da história do Rio Grande do Sul e do Brasil. Líder guarani dos Sete Povos das Missões, Sepé foi morto em 1756, durante a Batalha de Caiboaté, no atual município de São Gabriel, ao resistir à expulsão dos povos indígenas de suas terras, imposta pelo Tratado de Madri.

Sepé Tiaraju tornou-se símbolo de resistência indígena frente às forças portuguesas e espanholas que tentavam executar o acordo firmado entre as coroas ibéricas, o qual determinava a transferência das terras missioneiras. À frente dos guaranis, ele defendeu o direito ancestral ao território, eternizando a frase atribuída a ele: “Esta terra tem dono, e não é português nem espanhol, mas guarani”.

Nascido na redução de São Luiz Gonzaga, em data desconhecida, Sepé foi batizado com o nome cristão de José e criado pelos padres jesuítas após perder o pai, o cacique Tiaraju, durante uma epidemia de escarlatina que devastou as Missões. A convivência com os jesuítas aliou formação religiosa, organização comunitária e espírito de liberdade, características que moldaram sua liderança.

Como corregedor do Cabildo de São Miguel, Sepé inicialmente acreditava na proteção da Coroa Espanhola. No entanto, ao perceber que a ordem real determinava a retirada forçada dos indígenas, passou a liderar a resistência armada, unificando os povos missioneiros contra a ocupação estrangeira. Durante mais de três anos, organizou ataques e impediu a retirada de bens das reduções.

A morte de Sepé, às margens da sanga da Bica, marcou também o início do colapso da experiência missioneira guarani-jesuítica. Após sua queda, milhares de indígenas foram mortos e as reduções destruídas, encerrando uma das mais bem-sucedidas experiências comunitárias da história colonial.

Considerado herói, mito e santo popular, Sepé Tiaraju teve sua memória eternizada na literatura, em obras como O Uruguai, de Basílio da Gama, e O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo.

A rodovia RS 344 recebeu o seu nome. Existe também no Rio Grande do Sul o município de São Sepé, nome que reflete a devoção popular pelo herói indígena.

Em 2009, foi oficialmente inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, reconhecendo sua importância histórica e simbólica.

Duzentos e setenta anos após sua morte, Sepé Tiaraju permanece como referência de coragem, justiça e luta pelos direitos dos povos originários, reafirmando seu papel central na construção da identidade rio-grandense.

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