Na manhã do sábado (14), internos resgatados de uma clínica de reabilitação interditada na localidade de Navegantes, no interior de Estação, relataram um cenário de violência sistemática, intimidações e graves violações de direitos humanos. O local foi fechado na sexta-feira (13) após ação policial.
De acordo com os depoimentos, não havia qualquer tipo de diálogo ou acompanhamento profissional. A rotina era marcada por agressões físicas e psicológicas. Um dos resgatados contou que sofria ameaças constantes de morte por parte de monitores, que afirmavam possuir arma de fogo. Em outro momento, ao pedir para morrer diante do sofrimento, ouviu que permanecer vivo fazia parte do castigo imposto.
Os internos afirmaram que as punições eram coletivas. Quando um deles era agredido, os demais eram proibidos de intervir, sob ameaça de sofrerem a mesma violência. Um dos homens relatou ter sido agredido com pedaços de taquara, além de chutes e tapas no rosto, após comentar com outro interno que pretendia relatar os abusos à família.
Um dos episódios mais graves teria ocorrido em janeiro, quando um interno tentou fugir pulando a cerca da clínica. Conforme os relatos, ele foi atingido na nuca por um disparo de espingarda de chumbinho. O projétil teria sido retirado pelos próprios monitores, sem anestesia ou qualquer tipo de atendimento médico adequado.
As vítimas também relataram privações e possível extorsão. Segundo um dos internos, a família teria depositado R$ 800 para a compra de medicamentos controlados, mas os remédios foram retidos por cerca de dez dias. Durante esse período, ele afirma ter sido alvo de humilhações e ameaças, com monitores dizendo que a família o havia abandonado e que ele morreria no local.
O clima de terror teria cessado apenas com a chegada da polícia na manhã de sexta-feira (13). Um dos resgatados relatou que o medo era constante, inclusive durante o sono, e que o alívio foi imediato ao perceber a intervenção policial.
Após o resgate, 11 internos foram acolhidos pela Comunidade Terapêutica SOGEASME, em Getúlio Vargas. A instituição disponibilizou leitos, roupas, alimentação e acompanhamento psicológico, enquanto as famílias e os serviços de assistência social dos municípios de origem organizam o encaminhamento dos pacientes.
A coordenação da entidade informou ter ficado impactada com a gravidade dos relatos. Um dos monitores que acompanhou a chegada do grupo afirmou que muitos internos demonstravam alívio e emoção ao perceberem que estavam em um ambiente seguro.
As denúncias estão sendo apuradas pelos órgãos competentes. A polícia investiga os responsáveis pela clínica e as circunstâncias dos crimes relatados.
Informações: Clube do Ouvinte











