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O Rio Grande celebra o Tratado de Poncho Verde

Foto: reprodução

A data de ontem (01.03) marcou, no calendário do nosso Rio Grande do Sul, o aniversário de 181 anos do Tratado de Paz mais importante da nossa história, do nosso legado de bravos lutadores que marcaram os campos gaúchos, peleando e se entreverando por conta de causas que não ficaram somente na bravata. Eram tiros de fuzil, lanças e adagas que cortaram a carne de irmãos lutando por suas causas. Justas? Não? Não nos cabe julgar, mas agradecer aos bravos que pelo Rio Grande lutaram, e aos que assinaram o Tratado de Paz de Poncho Verde.

Revolução Farroupilha

A Revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos, foi o mais prolongado conflito regional da história do Brasil, estendendo-se de 1835 a 1845 na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Inserido no contexto do período regencial, o movimento refletiu disputas econômicas e políticas entre a elite sul-rio-grandense e o governo central do Império do Brasil.

A origem da revolução esteve ligada à insatisfação de estancieiros e charqueadores com a política fiscal imperial. A tributação sobre o charque e o couro reduzia a competitividade da produção gaúcha frente aos similares importados do Uruguai e da Argentina. À pauta econômica somaram-se reivindicações de natureza política, especialmente a defesa do federalismo e de maior autonomia administrativa para as províncias.

Dentre as lideranças do movimento destacou-se Bento Gonçalves da Silva, comandante militar e primeiro presidente da República Rio-Grandense. Também tiveram atuação relevante Giuseppe Garibaldi e Anita Garibaldi, cuja participação foi decisiva na frente catarinense. Outro nome de projeção foi Antônio de Sousa Neto, responsável pela proclamação da República Rio-Grandense, além de David Canabarro, que teve papel de destaque na fase final da guerra.

O desfecho ocorreu em 1º de março de 1845, com a assinatura do Tratado de Poncho Verde, negociado pelo então comandante imperial Barão de Caxias. Diferentemente de outras rebeliões regenciais, os farroupilhas obtiveram condições consideradas favoráveis, como anistia ampla, incorporação de oficiais ao Exército Imperial e garantias relativas às dívidas provinciais.

Vários episódios controversos também marcaram a Revolução Farroupilha. Dentre eles, o chamado Massacre de Porongos. Contam alguns historiadores que esse foi um assassinato premeditado pelos comandantes revolucionários. Outros narram fatos que sucederam à morte de centenas de negros, fortuitamente “traídos” por seu comando, que lhes prometeu a liberdade e entregou a degola.

O marco inicial da revolta, em 20 de setembro de 1835, é celebrado anualmente como o Dia do Gaúcho, data que integra o calendário cívico do Rio Grande do Sul e reafirma a memória histórica do conflito.

A assinatura da Paz

O “Tratado de Poncho Verde”, também conhecido como “Paz de Ponche Verde”, foi firmado em 1º de março de 1845 e encerrou oficialmente a Revolução Farroupilha. O nome faz referência à região de campinas verdejantes situada no atual município de Dom Pedrito, onde as negociações foram concluídas.

Composto por 12 cláusulas, o documento estabeleceu as condições para a reintegração da autoproclamada República Rio-Grandense ao Império do Brasil, consolidando a pacificação da província.

O tratado foi firmado por David Canabarro, representando os farroupilhas, e pelo Barão de Caxias, em nome do Império. Bento Gonçalves, uma das principais lideranças do movimento, não participou da assinatura em razão de problemas de saúde.

Como legado simbólico, Dom Pedrito passou a ser conhecida como “Capital da Paz Farroupilha”, abrigando o Obelisco da Paz em referência ao episódio histórico.

Texto: Dilerman Zanchet

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