A poucos dias da abertura oficial, o parque da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, se transforma em um verdadeiro canteiro de obras. Máquinas circulando, caminhões descarregando estruturas e equipes especializadas trabalhando na montagem dos estandes mostram a dimensão de uma das maiores feiras do agronegócio do país.
Em entrevista à Rádio Planalto, o vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, destacou a intensidade dos preparativos e a importância do evento. Segundo ele, a feira é resultado de muito planejamento e capricho para receber bem visitantes, expositores e produtores rurais. A expectativa é de que, a partir de segunda-feira (09), tudo esteja organizado para mais uma edição marcada por debates, negócios e discussão de pautas fundamentais para o setor.
Foto: Divulgação/Cotrijal
Agro sustenta economia mesmo com dificuldades
Schroeder ressaltou que, enquanto a economia brasileira apresentou crescimento de 2,3% no último ano, o agronegócio avançou 11,7%, confirmando seu papel de motor da economia. Ele reforçou, no entanto, que o desempenho ocorre apesar das adversidades, especialmente no Sul do país, onde o clima tem provocado frustrações de safra.
O dirigente defendeu maior atenção do governo federal ao setor, com políticas mais estruturadas de seguro agrícola, juros adequados e avanço na securitização das dívidas. Conforme explicou, o custo para plantar um hectare de soja é elevado, podendo chegar ao equivalente a cerca de 30 sacas, e muitas vezes a produtividade não supera esse volume em anos de quebra.
Produtor endividado e impacto em cadeia
De acordo com o vice-presidente, as assembleias realizadas recentemente nos municípios de abrangência da cooperativa confirmaram um cenário preocupante. Muitos produtores estão endividados e utilizaram as reservas que tinham para manter a atividade após sucessivas frustrações de safra.
Ele alertou que o impacto vai além da porteira. Quando o produtor deixa de investir, reduz a compra de máquinas e insumos, o que afeta a indústria, o comércio e pode gerar desemprego. Para ele, sem apoio adequado, o risco é de retração ainda maior na economia.
Cooperativa mantém estratégia de consolidação
Apesar do cenário desafiador, a Cotrijal projeta estabilidade para 2026. A decisão é consolidar a área atual de atuação, sem novas expansões. Schroeder lembrou que a cooperativa realizou aquisições estratégicas e incorporações nos últimos anos e agora o foco é fortalecer a estrutura existente.
Mesmo com redução no faturamento em razão da queda nos preços e da menor produção, a cooperativa superou os R$ 4 bilhões em faturamento no último exercício e distribuiu cerca de R$ 26 milhões em sobras líquidas aos associados. Segundo ele, o resultado positivo é reflexo de gestão cuidadosa e planejamento financeiro responsável.
Projeto de biodiesel avança em Cruz Alta
Outro destaque é o andamento do projeto da indústria de biodiesel em Cruz Alta, desenvolvido em parceria com outras cooperativas. O terreno já foi adquirido, equipamentos começaram a ser comprados e as etapas ambientais estão avançando. A iniciativa é considerada estratégica para agregar valor à produção regional.
Orientações para o público
Em relação ao acesso ao parque, a organização informa que as melhorias viárias na frente do complexo não alteram a dinâmica dos anos anteriores. O novo traçado está sinalizado e liberado, e os estacionamentos seguem nos mesmos locais. A recomendação é que o público tenha paciência com o aumento no fluxo de veículos, considerado normal para o porte do evento.
A direção da Cotrijal reforça o convite aos produtores e visitantes. Mesmo diante das dificuldades, a feira é vista como espaço de oportunidades, negociação, acesso a crédito e fortalecimento do setor. Para a cooperativa, a perseverança e a resiliência do produtor rural seguem sendo as marcas desta edição da Expodireto.












