Cada domingo a Igreja, através do Credo, professa que Jesus “ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras”. É a renovação semanal da fé em Jesus Cristo morto e ressuscitado. É o acontecimento surpreendente que constitui o fundamento do cristianismo. Tudo na Igreja se compreende e se constrói sobre este grande Mistério que mudou o curso da história e que se torna atual em cada celebração Eucarística. Mas é na Páscoa anual e no Tempo Pascal que é proposto aos fiéis, de modo mais intenso, o Mistério Pascal. É tempo de compreender mais e melhor os fundamentos da fé cristã e poder viver mais fielmente a vida cristã. Toda liturgia do Tempo Pascal canta a certeza e a alegria da ressurreição de Cristo.
Celebrar a Páscoa é renovar a adesão a Cristo que morreu e ressuscitou por nós. A sua Páscoa é também a nossa Páscoa por nos ter dado a certeza da ressurreição. É uma notícia sempre nova, porque Jesus Cristo está vivo. Vivo é seu Evangelho. Viva é a fé dos que o seguem na vida cotidiana. Vivo é o testemunho dos mártires do passado e do presente.
A verdade histórica da ressurreição de Cristo é amplamente documentada pelo testemunho das pessoas que se encontraram com Ele após a ressurreição, como nos atestam as Escrituras. De fato, se faltar na Igreja a fé na ressurreição tudo desmorona. São Paulo, que teve a graça extraordinária de se encontrar com o ressuscitado. Ele não se cansava de repetir que se movia sobre este fundamento. “E se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé. Assim seríamos também considerados falsas testemunhas de Deus, porque testemunhamos contra ele que ressuscitou Cristo” (1 Cor 15,14-15). Uma testemunha não pode mentir. São Paulo não podia mentir sobre o encontro que teve com Cristo ressuscitado que mudou radicalmente o rumo da sua vida.
É o testemunho das Escrituras que nos faz penetrar no Mistério Pascal, fortalecer a fé e aquecer o coração. Na Vigília Pascal e na oitava da Páscoa a liturgia lê e medita os encontros do Cristo ressuscitado com os seus discípulos. Os diálogos, os sentimentos, as reações e as mudanças que vão acontecendo na vida dos discípulos testemunham a total originalidade do acontecimento Pascal.
O evangelista Mateus relata que ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. Um anjo começa a dialogar com elas diante do sepulcro vazio: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito. Ide ver o lugar em que ele estava. Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis”. Enquanto voltavam, Jesus vai ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos”.
São João relata que Pedro e João, quando souberam da ressurreição, correm na direção do sepulcro e o encontram vazio. Nele estavam somente as faixas que envolviam o corpo e o pano que cobria a cabeça. Depois outra Maria vai ao túmulo, chora porque o estava aberto e vazio. Jesus ressuscitado vai ao encontro dela e diz: “Maria”. Ela o reconhece, não pela aparência, mas pela voz.
São João relata outros dois encontros com os discípulos, um no dia da ressurreição e outro oito dias depois. Os discípulos estavam trancados por medo. Jesus entra e os saúda: “A paz esteja convosco”. Mostra as feridas nas mãos e no lado para que Tomé pudesse tocar. Jesus promete o Espírito Santo e os envia em missão para serem ministros da reconciliação. Neste contexto Tomé faz a solene profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.
O evangelista Lucas retrata o encontro com os discípulos de Emaús. Profundamente frustrados com a morte do mestre, voltam para Emaús. Jesus ressuscitado vai ao encontro deles e começa um diálogo a partir das Escrituras que falavam a respeito daquele acontecimento. A seguir Jesus ressuscitado oferece o novo sinal da sua presença, a Eucaristia. Abençoa o pão e o vinho e os reparte, como tinha feito na última ceia.
Aqueles encontros dos discípulos com o Cristo ressuscitado fortaleceu de tal modo a fé e o desejo de comunicar e testemunhar este acontecimento que os discípulos se tornaram mártires como Jesus. Jamais renunciaram de noticiar a ressurreição de Jesus, fundamento primeiro da fé cristã.
Desejo uma Santa e abençoa Páscoa!
Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo











