Continuemos a obra de JesusCelebramos neste Domingo a Solenidade da Ascensão de Jesus ao Céu. Este evento litúrgico está sustentando na Sagrada Escritura, sobretudo nos textos de Lucas (Lc 24, 50-53) e Marcos (Mc 16,19) no contexto das aparições do ressuscitado. Mateus e João relatam as aparições de Jesus Ressuscitado sem, contudo, destacar a Ascensão do Filho de Deus. Todavia, os textos dos quatro evangelistas sugerem a compreensão da missão cumprida por Jesus a mando do Pai e a tarefa dos seguidores continuarem a sua obra, tendo a certeza de que Ele não se afastou e, portanto, não há rompimento com os seguidores, mas uma responsabilidade mais densa.
O “ano litúrgico A” propõe como Evangelho para este Domingo o texto de Mateus (Mt 28, 16-20). Como escrito anteriormente, é o contexto das aparições do Ressuscitado ao discipulado. Segundo o texto de Mateus, anteriormente se dera um encontro também significativo. O mensageiro de Jesus ressuscitado encontrara-se com as mulheres que eram suas seguidoras com um pedido muito especial. Ele pediu que avisassem os seus discípulos para o encontrarem na Galileia. Dizia o mensageiro: “ele caminha à frente de vocês para Galileia” (Mt 28,6). O pedido é reforçado pelo próprio Ressuscitado: “não tenham medo. Vão avisar meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Aí eles me verão” (Mt 26, 10).
Destaca-se este primeiro elemento, o “encontro” do discipulado com o Ressuscitado. A prisão e crucificação de Jesus gerou “desencontro” no grupo. Muitos se dispersaram. Era necessário reuni-los novamente, provocar o encontro em torno do Mestre e da proposta para reavivar a esperança.
O outro elemento diz respeito ao “lugar do encontro”. Não foi em Jerusalém, mas na Galileia. Lá Jesus iniciou sua missão. Lá eles foram chamados a compor o grupo dos discípulos no início do processo missionário. Foram chamados, depois da dispersão, mesmo com alguma dúvida, a recompor o grupo. De lá deveriam retomar o projeto de Jesus impulsionados pela força da Ressurreição.
O encontro aconteceu marcado por um misto de alegria e dúvida. Segundo Mateus, alguns ainda tinham dúvidas no coração (Mt 28,17). É compreensível diante do que significou a crucificação de Jesus. Entretanto eles reconhecem a autoridade de quem estava ali, pois se ajoelham diante dele (Mt 28,17). As dúvidas seriam superadas.
Jesus, diante do grupo, não perdeu tempo e tomou as devidas atitudes em vista do futuro da obra divina. Primeiro, reiterou sua autoridade no céu e na terra, uma autoridade universal. A partir dessa autoridade, enviou o grupo em missão para que todas as nações se tornassem discípulas. Deveriam acolher a ordem de Deus e não a ordem do mundo. O discipulado recebe de Jesus esta autoridade para fazer o bem. Jesus tinha uma autoridade delegada pelo Pai e agora delega ao discipulado em vista da missão. Ela se daria mediante duas atitudes, o batismo em nome da Trindade e o ensinamento que, por sua vez, daria consistência ao Batismo. Um complementa o outro. Poderíamos afirmar o rito e o conteúdo.
Por fim, Jesus assegura sua presença junto ao grupo eternamente. Eles não estariam sós naquela empreitada. Jesus não se afasta do mundo e dos seus. Depois de cumprir sua parte deixa para eles a tarefa de continuar a sua obra. Estará presente na História através da ação dos seus discípulos e discípulas.
Cabe a nós, em tempos atuais, nos sentirmos enviados para continuarmos a obra de Jesus. Ele estará conosco em nosso testemunho através Espírito Santo.
Pe. Ari Antonio dos Reis










