Passo Fundo recicla atualmente apenas cerca de 7% dos resíduos gerados no município, segundo estimativa do Projeto TransformAÇÃO, que atua junto às cooperativas de reciclagem da cidade. Apesar dos avanços conquistados nos últimos anos, a maior parte do lixo recolhido ainda tem como destino o aterro controlado em Victor Graeff.
Os dados foram divulgados em meio às reflexões pelo Dia Mundial da Reciclagem, celebrado no último domingo (17). Na Central de Triagem da Recibela, instalada na antiga área de transbordo de resíduos do município, chegam diariamente aproximadamente 200 toneladas de materiais recolhidos pela coleta seletiva. No entanto, apenas cerca de 300 toneladas por mês retornam à cadeia produtiva como recicláveis — o equivalente a cerca de 5% do volume total mensal.
Enquanto isso, mais de 5,7 mil toneladas de resíduos classificados como rejeitos ou orgânicos seguem para descarte. Conforme o assessor administrativo do Projeto TransformAÇÃO, Vinicius Luiz Balbino, um dos principais entraves está na separação inadequada do lixo por parte da população.
“A coleta é supostamente seletiva, mas os resíduos chegam todos misturados à cooperativa”, afirma Balbino. Segundo ele, a mistura de materiais reduz o aproveitamento dos recicláveis e aumenta significativamente o volume encaminhado ao aterro.
Cooperativas geram emprego e renda
A Central de Triagem da Recibela opera de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e conta atualmente com cerca de 65 cooperados. O trabalho envolve separação, triagem, prensagem, armazenamento e comercialização dos resíduos recicláveis, que são vendidos para indústrias responsáveis pela reutilização dos materiais.
De acordo com o projeto, a renda média dos trabalhadores da Recibela chega a R$ 4 mil mensais, além de benefícios como alimentação diária, transporte gratuito e contribuição previdenciária.
Já nas cooperativas Coama e Cootraempo, que atuam com coletas solidárias em bairros, empresas e instituições, a renda média varia entre R$ 1,5 mil e R$ 1,8 mil por mês.
Projeto atua há quase duas décadas
Criado em 2007 por entidades ligadas à Igreja Católica durante a Campanha da Fraternidade, o Projeto TransformAÇÃO surgiu com o objetivo de promover inclusão social e geração de renda por meio da reciclagem.
Ao longo dos anos, a iniciativa ajudou na criação e estruturação de cooperativas como a Coama, a Recibela e a Cootraempo, oferecendo suporte administrativo, organizacional e acompanhamento das atividades.
Para Balbino, a reciclagem vai além da preservação ambiental e também representa desenvolvimento econômico e redução da exploração de recursos naturais.
Falta de investimentos preocupa cooperativas
Apesar da estrutura já existente, o projeto aponta que ainda faltam investimentos em tecnologia, infraestrutura e educação ambiental para aumentar os índices de reciclagem em Passo Fundo.
Entre as principais demandas estão a construção de uma nova central de triagem e a modernização dos equipamentos utilizados pelas cooperativas.
Outro ponto destacado é a diferença entre os custos com reciclagem e os gastos do município com o descarte de resíduos. Segundo o projeto, Passo Fundo investe atualmente entre R$ 120 mil e R$ 130 mil por mês em contratos e serviços ligados às cooperativas, enquanto os custos com o envio de resíduos ao aterro chegam perto de R$ 1 milhão mensais.
“Quanto mais se recicla, mais se economiza com o envio de resíduos para o aterro e mais emprego e renda são gerados dentro da cidade”, destaca Balbino.
O Projeto TransformAÇÃO também defende a ampliação de campanhas permanentes de conscientização ambiental e melhorias na coleta seletiva para aumentar a participação da população no processo de reciclagem.
FONTE: O NACIONAL











