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Amizade de décadas termina em despedida comovente no interior do RS: gaiteiro morre durante velório do melhor amigo em Ibirubá História vivida na comunidade de Pinheirinho emocionou moradores e familiares após dois amigos inseparáveis morrerem no mesmo dia e serem velados na mesma capela

Reprodução: Rádio Foco

Nessa quinta-feira (21), uma história marcada por amizade, música e emoção profunda comoveu moradores de Ibirubá, no Noroeste do Rio Grande do Sul. João Sebastião Gularte Correa, de 76 anos, morreu na manhã de quinta-feira (21), enquanto prestava uma última homenagem ao melhor amigo, Gentil Scapini, de 78 anos, durante o velório realizado na Capela Mortuária do município.

Gentil havia falecido na quarta-feira (20), no Hospital Annes Dias, e antes de partir deixou um último pedido à família: queria que João, amigo de infância e companheiro de décadas, estivesse presente em sua despedida tocando gaita. O desejo foi atendido.

Na manhã de quinta-feira, João chegou à capela acompanhado do também gaiteiro conhecido como Santa Maria. Irmão do músico tradicionalista e nativista Ernesto Nunes, João carregava uma forte ligação com a música, que sempre esteve presente na amizade construída com Gentil ao longo da vida no interior da comunidade de Pinheirinho.

Segundo familiares, os dois amigos mantinham uma relação inseparável desde a juventude. A gaita era um elo constante entre eles. Em datas comemorativas, encontros de família e fins de semana, era comum que passassem horas tocando juntos.

“A alegria dele era ver o João tocando gaita”, relatou a nora de Gentil, Leodete da Silva Scapini.

Por volta das 10h, enquanto o corpo de Gentil já estava sendo preparado para o translado, João passou mal repentinamente. Pessoas que acompanhavam o velório ainda tentaram prestar socorro imediato. Como o Hospital Annes Dias fica na mesma quadra da capela, ele foi levado rapidamente em um veículo particular até a unidade de saúde, mas não resistiu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

“Foi a emoção do momento. Era uma amizade de muito tempo, eles viviam juntos desde pequeno no interior”, contou Rafael Correa, filho de João.

Segundo a família, João não apresentava problemas de saúde e era muito querido pela comunidade. A sequência de acontecimentos causou forte comoção entre familiares, amigos e moradores da localidade.

Horas depois, a cena que já parecia difícil de acreditar ganhou contornos ainda mais emocionantes. João passou a ser velado na mesma capela onde havia se despedido do amigo poucas horas antes. Os dois agricultores e companheiros de vida foram sepultados no mesmo Cemitério do Pinheirinho, encerrando juntos uma amizade construída ao longo de mais de quatro décadas.

João deixa esposa, três filhos e três netos. Gentil deixa esposa, três filhos, sete netos e um bisneto.

A história lembrou muitos moradores de outro caso semelhante envolvendo dois grandes nomes ligados às tradições gaúchas: Arno Nunes dos Santos e Paulo Rocha, conhecidos no meio campeiro pelas gineteadas e narrativas tradicionalistas. Amigos inseparáveis por mais de 50 anos, eles também morreram no mesmo dia após uma longa trajetória de parceria e irmandade. Segundo familiares, Arno passou mal poucas horas depois de se despedir de Paulo Rocha no velório, sendo velado na mesma capela logo em seguida.

Relatos como esses reforçam histórias de amizades profundas que atravessam gerações e deixam marcas eternas nas comunidades do interior gaúcho.

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