Depois de cinquenta dias da Ressurreição do Senhor celebramos a Solenidade de Pentecostes assinalada no calendário litúrgico e preparada durante estes dias de diferentes formas pelas comunidades cristãs. A memória de Pentecostes tem para os cristãos alguns acentos significativos os quais vamos refletir a seguir: a perspectiva histórica, a sustentação bíblica, o fundamento trinitário, o aporte eclesiológico-comunitário e a dimensão missionária.
A perspectiva histórica diz respeito à História da Salvação, o projeto salvifico de Deus que, em determinado momento conta com ação direta do Espírito Santo conduzindo a vida da humanidade. Ele que estava presente nos primórdios da humanidade e atuando junto com Jesus é emanado do Filho para atuar de forma direta sob a comunidade humana sob a promessa (Jo 14,16; 16,7) para que os crentes tivessem a coragem de continuar a sua obra. Ele mesmo concretiza esta promessa no envio missionário (Jo 20,22). O Espírito Santo age na História da Salvação.
A Sagrada Escritura manifesta a presença do Espírito Santo. No Antigo Testamento agindo junto à criação, o Espírito que pairava sobre as águas (Gn 1,2), também o sopro criador do ser humano. Está presente na vida e ministério de Jesus (Mt 3,16; 4,1). O próprio Jesus promete enviá-lo aos discípulos para que pudessem dar continuidade a sua obra (Jo 14,16; 16,7) concretizando logo após a ressurreição. Lucas descreve a ação do Espírito Santo 50 dias após a Páscoa e seu agir transforma toda a comunidade dos discípulos.
O Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade e, como rezamos no Creio, acreditamos nessa verdade da fé. Segundo a Sagrada Escritura procede do Pai e do Filho para inspirar o agir da Igreja no mundo. Pelo o Espírito Santo a Trindade Santa age no mundo, como sempre agiu na História e os cristãos acolhem este agir na fé. Todavia, na ação do Espírito Santo o Pai e o Filho também estão agindo em plena comunhão.
O Espírito Santo sustenta o agir da Igreja. Ele é o aporte eclesiológico-comunitário fundamental. Segundo a tradição bíblica o Espírito Santo se manifesta quando a comunidade está reunida (Jo 20, 19-20; At 2, 1-8) e o agir inspira o agir de cada cristão em benefício da comunidade, como bem lembra o Apóstolo Paulo em Carta à Comunidade de Corinto. Segundo Paulo é o Espírito que suscita a atitude de colocar os dons a serviço da comunidade (1 Cor12,7). O ato de agir desconectado da vida da comunidade implica em ir contrário à orientação do Espírito Santo.
Por fim, mas sem fechar o processo, está a dimensão missionária. O Espírito Santo provoca o agir missionário. O sopro divino acontece em vista de uma proposta a ser levada para todos os povos e culturas não como imposição, mas como oferta de vida plena e feliz: o que vimos e ouvimos vos anunciamos (1Jo 1,3). Este anúncio convicto acontece sob a força e inspiração do Espírito Santo.
Neste Domingo, em comunhão com toda a Igreja, celebraremos a Solenidade do dom do alto, a inspiração divina para as comunidades cristãs. A celebração em nossas comunidades revela a nossa disposição em acolher o dom do alto como entoamos nos cantos, mas também a disposição em assumirmos os desafios que Ele nos sugere nesses tempos.
Pe. Ari Antonio dos Reis










