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Enviou-os em missão! Movido pela compaixão diante do sofrimento do povo, Jesus chama os discípulos, partilha sua missão e os envia para serem sinais de cuidado, libertação e esperança

Imagem: Ilustração gerada por IA

 

Estamos, nas celebrações dos Domingos do Tempo Comum, acompanhando a jornada missionária de Jesus pela Palestina acompanhado do discipulado. Neste 11º Domingo rezamos o aprofundamento da percepção de Jesus quanto à realidade do seu povo já descrita por Mateus em referência ao início da pregação de Jesus. Mateus escreve que Jesus percorria toda a Galileia ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda a enfermidade do povo (Mt 4, 23). E as pessoas levavam seus doentes até Jesus e outros de diversas localidades iam a sua procura.

Entretanto, à medida do avanço da missão nas mesmas condições que anteriormente (Mt 9,35) e já com o discipulado constituído, a percepção de Jesus se aprofunda. Ele vê de uma forma mais explícita o sofrimento do povo e a causa, sentindo compaixão: estavam cansados e abatidos, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9,36). Existe o sofrimento causado pela omissão e falta de compromisso das lideranças que deixam o povo à mercê de agentes políticos sem escrúpulos.

Desdobram-se três atitudes de Jesus frente a esta constatação. Primeiro Ele sente compaixão. Aquela realidade não lhe é indiferente. A expressão compaixão se origina do termo latino compassio, que significa sofrer com. Então, sentir compaixão significa colocar-se no lugar do outro que sofre e sentir também o seu sofrimento que implica na capacidade de sensibilizar-se com o sofrimento do outro. É interessante que Mateus não menciona esta atitude no discipulado.

A segunda atitude de Jesus tem a ver com a constatação do grande trabalho que teriam: a messe é grande, mas poucos operários. Sugere a oração, a prece ao Pai, dono da messe, pedindo mais trabalhadores para dar conta da responsabilidade. Pede mais gente para a colheita. Não significa fugir do problema, mas a partilha da responsabilidade por algo muito importante, algo que geralmente é muito bom. Então compara aquela missão a uma grande colheita. Se bem trabalhada gera bons e abundantes frutos. É ação divina e colaboração humana. A transformação que se deveria operar mudaria de forma radical a vida das pessoas atingidas. Compreende-se a terceira atitude de Jesus.

A terceira atitude de Jesus diz respeito à ação Dele e dos discípulos. Havia sofrimento, havia uma messe para ser cuidada. Chamou os doze discípulos que estavam com Ele e os enviou em missão. O poder que tinha para fazer o bem é dado também aos discípulos. Eles deveriam fazer o bem a todos os que estavam sofrendo, como Ele mesmo já vinha fazendo. Deveriam continuar a boa obra de Jesus.

Mateus também faz questão de nomear cada um dos discípulos assinalando a identidade, a história pessoal e a responsabilidade de cada um dos enviados. O compromisso de fazer o bem era um sinal do Reino e se traduzia na: cura dos doentes, ressurreição dos mortos, cura dos leprosos e expulsão dos demônios, todas ações de grande fundo libertador das pessoas que sofriam, aqueles que mereciam um atendimento prioritário, as ovelhas perdidas da casa de Israel.

Por fim, Jesus acentua que a missão deveria ser gratuita: de graça recebestes, de graça deveis dar (Mt 10,8). Deus vem até nós de forma gratuita. Disseminar a sua proposta livremente é resposta gratuita Àquele que se deu primeiro na pessoa de Jesus. Aqueles doze discípulos, transformados em apóstolos, receberam gratuitamente a experiência com o Mestre. Entregariam esta experiência a outros que necessitariam da ação libertadora.

Pe. Ari Antonio dos Reis.

 

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