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Pedro e Paulo: liberdade para anunciar o Evangelho

A Solenidade de São Pedro e São Paulo permite aos cristãos visitarem a experiência de Pedro e Paulo, considerados pilares da Igreja nascente a partir do testemunho significativo que deixaram para todos nós. Ambos fizeram uma experiência diferenciada de encontro com Jesus, todavia permaneceram unidos pelo compromisso de testemunhar o ressuscitado como Pedro expressou em companhia de João por ocasião da prisão: não podemos deixar de testemunhar o que vimos e ouvimos (At 4,20). Paulo também expressa esta convicção quando afirma: ai de mim se não anunciar o evangelho (1Cor 9,16).

A opção de ambos pelo apostolado aferiu-lhes consequências em suas vidas. Foram assumindo as consequências pela fé no Ressuscitado.  Suas trajetórias de vida e missão são sinais para todos os cristãos sobretudo porque o Senhor lhes permitiu a liberdade e as condições para anunciar o Evangelho.

Pedro viveu a proximidade física com Jesus e foi amadurecendo na compreensão do sentido da missão do Mestre e por consequência da sua missão enquanto discípulo. Viveu a crise da negação quando não foi capaz de assumir o discipulado de Jesus Cristo. Enquanto Jesus assumia a cruz ele fugia da cruz. Mas foi humilde suficiente para aceitar ser resgatado pelo Ressuscitado (Jo 21,15ss) e corajoso para dizer que amava Jesus, contudo com suas imperfeições enquanto ser humano. Disse: Senhor tu sabes tudo, sabes que eu te amo (Jo 21,17). Recebeu de Jesus Ressuscitado o aval para assumir a missão e as consequências deste caminho.

O texto do livro dos Atos dos Apóstolos (At 12,1-11), proposto como primeira leitura da Solenidade, apresenta algumas dessas consequências, a perseguição, a prisão, a tortura e a morte. Todavia, aquele homem devia estar livre para continuar a obra missionária. Estando preso o Senhor agiu pelo anjo. Libertou-o do poder de Herodes para continuar a sua missão (At 12,11). Ele deveria ter liberdade para continuar anunciando o Evangelho e nenhum empecilho humano o deteria até que consumasse a obra.

Paulo viveu o encontro com Jesus através da comunidade cristã (At 9,17-19). Foi iniciado na fé cristã pela comunidade e se fez um missionário enfrentando os sofrimentos causados pela desconfiança dos cristãos e perseguições dos judeus. À semelhança de Pedro, a missão paulina não deveria ser tolhida pela mão humana. Apesar das perseguições e prisões ele levou para frente a obra missionária. Foi preso várias vezes devido ao anúncio convicto do Ressuscitado. Mas o Senhor agia e o libertava para que continuasse a sua obra. No livro dos Atos dos Apóstolos está o relato da prisão injusta de Paulo e seu companheiro Silas (At 16, 19-34). Ambos foram libertos para continuarem a obra evangelizadora. Ficaram livres e acolheram o carcereiro na fé cristã (At 19, 30-34)

A segunda leitura deste domingo apresenta o seu testemunho já no final da sua vida quando compreende a chegada da hora derradeira. Manifesta a certeza de que o Senhor esteve ao seu lado e lhe deu forças permitindo que a mensagem fosse anunciada integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão (2Tm 4,17). Diz a Timóteo, seu interlocutor, que o Senhor o libertará de todo mal e o salvará para o seu Reino celeste (2Tm 4,18).

A Solenidade de São Pedro e São Paulo lembra a nós cristãos a liberdade que o Senhor nos dá para o testemunho e o anúncio do Evangelho. Essa liberdade também vem do interior de cada um. Pedro e Paulo tiveram a liberdade do Senhor, mas também assumiram a partir da sua fé a liberdade interior para o testemunho. Uma complementa a outra.

Possamos aprender deles esta orientação para nossa vida de fé, e testemunho cristão.

Pe. Ari Antonio dos Reis

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