Grupo Planalto de comunicação

Em comunhão com o Evangelho!

O Evangelho proposto para este 14º Domingo Comum (Mt 11, 25-30) pode ser dividido em três momentos. Ambos são significativos quando lidos sob a ótica da proposta de Jesus de anunciar o Reino e fazê-lo conhecido, compreensível e acolhido pelos seus ouvintes. Jesus se alegra quando vê que os pequeninos entendem a proposta do Reino; coloca-se como o revelador da vontade do Pai; propõe aos que estão cansados e fatigados uma troca justa, viabilizada pela acolhida do seu Evangelho. Este é o tripé do texto deste domingo que permite nos aprofundarmos no seguimento do Filho de Deus.

O texto de Mateus está inserido em um contexto mais amplo. O Filho de Deus está em plena itinerância missionária e já com o grupo dos discípulos formado. Nos capítulos 5, 6 e 7 havia proclamado o Sermão da Montanha seguido de atitudes concretas que explicitavam o Reino anunciado viabilizadas nas diversas curas libertadoras das pessoas que sofriam os males físicos, mas também a exclusão social e religiosa (Mt 8,1-9). Neste percurso encontrou-se com Mateus e efetuou o chamado ao discipulado explicitando a dimensão misericordiosa da proposta, à revelia do pensamento dos fariseus, sectário e excludente (Mt 9,1-13). Com a equipe completa e ao perceber o sofrimento do povo, enviou os discípulos em missão fazendo questão de alertá-los do que era prioritário, das possíveis dificuldades da opção missionária e da grandeza da obra que estavam fazendo (Mt 10, 1-39). Tudo o que Jesus e seu grupo faziam gerava inquietações, inclusive em João Batista, o precursor. Como forma de acalmar o coração do santo homem mostrou-lhes as suas obras aos discípulos enviados e pediu que não se escandalizassem com o bem feito (Mt 11, 1-6).

Lê-se o evangelho desse domingo nesse contexto. Jesus percebeu que o esforço evangelizador valeu a pena e louva e agradece a Deus. É a primeira parte do Evangelho. Ele manifesta o contentamento porque a obra feita estava dando bons resultados. Os pequeninos estavam compreendendo a sua proposta. Surge a dúvida. Por que Deus a escondeu aos sábios entendidos? Por que esta diferenciação? Na verdade, a proposta do Evangelho não chegou aos seus corações. Ela não está no seu universo de compreensão. Não é motivo de interesse. Os ditos sábios e entendidos são tão autossuficientes que não percebem a boa nova chegando com Jesus. Os pequeninos, pobres e marginalizados, por sua, vez compreendem, porque a proposta do Evangelho, falando de justiça e partilha, tem muito a lhes dizer. Por isso, a entendem. Então criam uma grande comunhão com Jesus. O Mestre oferece o que buscavam. Ele responde a carência que viviam.

A segunda parte do texto explicita o sentido da missão de Jesus. Ele, nas suas palavras e ações, revela a vontade do Pai, ao qual conhece profundamente. Tudo que está fazendo, o faz em comunhão com a vontade do Pai e faz do seu agrado. Ele recebe esta autoridade do alto.  Faz-se necessário estar aberto a esta proposta amorosa explícita em Jesus, o revelador do amor do Pai.

A terceira parte do texto aprofunda um pouco mais o caminho proposto por Jesus. Ela sugere uma troca justa. Agora convida a proximidade com sua pessoa por parte de todos os que estão cansados de carregar um pesado fardo. A ideia de “fardo” sugere várias interpretações. Possivelmente é a tradição social e religiosa da época que excluía muitos e os deixava à margem, como deixara o próprio autor do Evangelho e que Jesus resgatara pelo chamado.

Jesus sugere deixar de lado este fardo. É muito pesado. É difícil de carregar.  Propõe em troca o seu Evangelho. Este, acolhido no coração e vivido com liberdade será fácil de carregar. O Evangelho de Jesus acolhe e recompõe a dignidade porque as pessoas compreendem o seu sentido e podem segui-lo.

Podem, sobretudo, viver em comunhão com ele.

 

 

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