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Prefeitura de Passo Fundo e Begreen assinam contrato para implantação de fábrica de amônia verde

Foto: Andressa Zorzetto

Na semana em que Passo Fundo celebra seu aniversário de 169 anos, o Município dá mais um passo na estratégia de atração de investimentos ligados à inovação, à sustentabilidade e à transição energética. Nesta quarta-feira, a Prefeitura, a Begreen Bioenergia e Fertilizantes Sustentáveis e a Fundação Universidade de Passo Fundo formalizam o contrato que estabelece as condições para a implantação de um HUB de produção de amônia verde no município, um insumo estratégico para a produção de fertilizantes e que também vem ganhando espaço como alternativa para armazenamento e transporte de energia limpa.

No projeto da Begreen, ela será produzida a partir de hidrogênio de baixo carbono e energia renovável, aproximando Passo Fundo de uma nova cadeia econômica que conecta agronegócio, tecnologia e transição energética.

A assinatura representa a conclusão de uma etapa iniciada ainda durante as tratativas entre o Município e a empresa, que passaram pela elaboração de estudos, pela assinatura do Protocolo de Intenções, pela análise técnica do projeto e pela aprovação dos incentivos pela Câmara Municipal.

Para o prefeito Pedro Almeida, a assinatura simboliza o resultado de um processo construído entre diferentes instituições e reforça a capacidade de Passo Fundo de atrair investimentos de uma nova geração: “É muito significativo chegarmos a esta etapa justamente na semana em que celebramos Passo Fundo. Foram meses de diálogo, estudos, construção jurídica e articulação com a empresa, a Universidade e a Câmara de Vereadores. Agora transformamos esse trabalho em investimento efetivo. É um empreendimento que gera empregos, movimenta nossa economia e, principalmente, coloca Passo Fundo dentro de uma agenda de futuro ligada à energia limpa, à inovação e à sustentabilidade”, destaca o prefeito.

O contrato prevê investimento estimado em R$ 45,63 milhões para implantação do empreendimento, que será instalado em área pertencente à Fundação Universidade de Passo Fundo, no Campus I da UPF, junto ao Cepagro. Do investimento projetado, mais de R$ 41 milhões estão destinados à aquisição de equipamentos, além de obras civis, instalações, engenharia, projetos e tecnologia.

O projeto prepara a produção localizada e descentralizada de amônia verde, utilizando energias renováveis e hidrogênio de baixo carbono obtido por eletrólise da água, combinado ao nitrogênio capturado do ar. A capacidade projetada é de aproximadamente 2 mil toneladas de amônia verde por ano.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Adolfo de Freitas, ressalta que o projeto também materializa uma estratégia que vem sendo construída pelo Município para aproximar desenvolvimento econômico, agronegócio, tecnologia e transição energética. “Não estamos falando apenas da instalação de mais uma empresa. Estamos falando de uma nova cadeia econômica. Passo Fundo tem agronegócio, universidades, conhecimento, infraestrutura e um ambiente institucional preparado para receber novos investimentos. A chegada da Begreen mostra que essa estratégia começa a produzir resultados concretos e abre caminho para outros projetos vinculados à chamada nova economia”, afirma.

Um projeto construído em etapas
A aproximação entre o Município e a Begreen avançou com a celebração do Protocolo de Intenções, que estabeleceu as ações necessárias para viabilizar o empreendimento e definiu as contrapartidas da empresa e do poder público. O documento já projetava um investimento de aproximadamente R$ 45 milhões e previa a implantação do HUB de amônia verde em Passo Fundo. A etapa seguinte foi o encaminhamento, pelo Executivo, do projeto de lei à Câmara Municipal para autorização dos incentivos fiscais, econômicos e financeiros. A proposta teve como fundamento o Programa de Fomento ao Desenvolvimento Econômico, instituído pela Lei Municipal nº 5.704/2023.

Com a aprovação legislativa, foi sancionada a Lei Municipal nº 6.082/2026, que autorizou formalmente a concessão dos incentivos. Agora, a assinatura do contrato consolida as obrigações assumidas pelo Município e pela empresa e estabelece as condições para a execução do projeto. O próprio contrato incorpora o Protocolo de Intenções e os documentos técnicos que integram o processo administrativo iniciado em 2023.

Para o diretor financeiro e CEO da OCG Brasil, sócio da Begreen, Augusto Suzuki, a implantação do empreendimento é resultado de um processo que envolveu estudos, articulação institucional e avanços nas etapas de licenciamento. Segundo ele, o trabalho começou há pelo menos três anos, com a estruturação do projeto e a realização de estudos ambientais e biológicos. “É importante citar que o Luiz Paulo Haut é o nosso idealizador do negócio. Ele conseguiu apoio tanto do Município quanto do Estado para poder avançar no licenciamento ambiental, e o Município foi muito solícito quanto à ajuda que ele precisava. Estamos falando de pelo menos três anos desde a estruturação, os estudos ambientais e biológicos, para poder dar entrada na licença prévia. A Universidade de Passo Fundo também foi muito solícita e prestativa para que ele pudesse avançar com os estudos. Isso encurtou pelo menos três anos de trabalho e agora estamos entrando para avançar e acelerar todo o procedimento”, explica.

Suzuki destaca ainda que as próximas etapas dependem dos processos de licenciamento e que a empresa mantém diálogo com os diferentes órgãos envolvidos. “O próximo licenciamento, que é o da instalação, já está em tratativas tanto com o Município e o Estado, para que tenhamos um avanço de forma segura, tanto para o meio ambiente quanto para o social e a segurança do Município”, acrescenta.

Parceria com a Universidade
A Universidade de Passo Fundo participa do projeto como proprietária da área em que será instalado o empreendimento e anuente do contrato. A utilização do imóvel decorre de instrumento de arrendamento celebrado diretamente entre a Fundação Universidade de Passo Fundo e a empresa. Além de sediar a futura unidade, a UPF também participa da construção de uma parceria voltada à pesquisa, inovação e formação de profissionais para a nova cadeia produtiva.

De acordo com o pró-reitor de Planejamento da UPF, professor Rafael Pavan, a instituição já desenvolve projetos em conjunto com a Begreen e atua na articulação com estruturas de inovação e pesquisa da Universidade. “A Begreen tem uma parceria com a UPF em projetos de pesquisa e também para desenvolver talentos na área em que a usina vai atuar. O UPF Parque ajuda a empresa, junto com o TecnoAgro, a articular esses movimentos. Existem projetos desde que a Begreen e a UPF estabeleceram essa parceria para desenvolver talentos. O papel da UPF, por ser uma universidade, é ajudar a qualificar profissionais para atuar nos cargos que serão necessários”, explica.

Pavan também destaca que a localização da fábrica dentro da Universidade amplia as possibilidades de integração entre o empreendimento, a pesquisa e a formação profissional. “A usina vai ser instalada dentro da Universidade de Passo Fundo”, reforça.

Empregos e participação de empresas locais
Durante a fase de implantação, a expectativa é de geração de aproximadamente 40 empregos diretos e indiretos, com previsão de outros 13 postos durante a operação da fábrica. A Begreen também assume o compromisso de priorizar, sempre que possível, a contratação de mão de obra local e de empresas estabelecidas em Passo Fundo, além de promover capacitação profissional especializada.

O contrato também prevê incentivos municipais relacionados à infraestrutura necessária ao empreendimento, entre eles terraplanagem, drenagem, pavimentação, acesso pela Estrada do Trigo, infraestrutura de energia e sistema de abastecimento de água, todos condicionados aos respectivos projetos.

Com a assinatura do contrato, Município, empresa e Universidade encerram uma das principais etapas administrativas do projeto e avançam para a fase de implantação do empreendimento, observadas as licenças, autorizações e demais condições técnicas previstas no contrato.

A previsão é de que as obras tenham início em fevereiro de 2027, com prazo estimado de 15 meses para execução. A implantação da fábrica reforça a estratégia de Passo Fundo de atrair investimentos relacionados à inovação, à sustentabilidade e à transição energética, ao mesmo tempo em que amplia a integração entre poder público, setor produtivo e Universidade.

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