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Nossa Senhora da Glória

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo

A solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria ao céu é um dia de alegria e de festa. Deus venceu. O amor venceu, pois, o amor é mais forte que a morte. A vida venceu. “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Maria acreditou em tudo o que Deus lhe prometeu. Acreditou na ressurreição e na vida eterna, agora a promessa se cumpre (Apocalipse 11,19, 12,1-10, Salmo 44(45) 1 Coríntios 15,20-27 e Lucas 1,39-56). Professamos a fé na “ressurreição da carne e na vida eterna”. O que nós esperamos, já se realizou com Maria. Isto é motivo de esperança.

Maria elevada ao céu de corpo e alma nos aponta que também no céu existe um lugar para o corpo. O céu não é um lugar distante e desconhecido. Como Jesus disse na cruz: “Eis a tua mãe”. Lá temos uma mãe que nos precedeu. O céu está aberto e nos convida. O corpo glorificado de Maria é uma valorização do corpo, pois é “templo do Espírito Santo”. Se faz necessário valorizar a pessoa inteiro: corpo, pensamento, sentimentos, espiritualidade. Corpo e alma, espírito e matéria, mundo dos homens e mundo de Deus não podem ser tratados e concebidos como oposições, mas estão visceralmente unidos.

O livro do Apocalipse fala que aparecem no céu duas grandes figuras contrastantes: “uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”; e “um grande dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres”. De um lado um poder assustador, de muita força que ameaça uma mulher grávida indefesa. Neste simbolismo, o autor sagrado manifesta as muitas forças destruidoras da história da humanidade. Muitas delas fizeram o mal por muito tempo, mas um dia foram vencidas. A força do mal não tem a última palavra, mas sim o bem e o amor. A mulher já aparece vitoriosa, pois “está vestida de sol” e “coroada de doze estrelas”. Se a figura do dragão assusta, a imagem da mulher vitoriosa infunde esperança para viver as batalhas diárias da vida marcadas pelas lutas entre o amor e o egoísmo, entre a vida ameaçada e vida que desponta.

O evangelista Lucas narra o encontro emocionante de Maria com Isabel. Um encontro de duas mulheres que abriram suas vidas para Deus agir nelas e através delas. Elas visibilizam a ação discreta e forte de Deus na vida das pessoas e no mundo. Isabel reconhece em Maria a Mãe do Salvador. 

O Papa Leão XIV, na conclusão da Encíclica Magnífica Humanidade: sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência artificial, comenta o hino de louvor e de alegria de Maria, denominado Magnificat. Escreve o papa: “A sua alma glorifica o Senhor e o seu espírito exulta em Deus, seu Salvador, porque Ele escolheu para o seu desígnio de salvação uma jovem, pobre e humilde. De modo inesperado, Maria vê toda a história com os olhos desta descoberta. Nada mudou à sua volta: a situação sociopolítica da sua época permanece a mesma, com os romanos dominando a sua terra e o seu povo dividido e humilhado. No entanto, tudo mudou dentro dela, isso lhe permite ver o invisível. Deus manifestou o poder do seu braço, dispersou os soberbos, derrubou os poderosos, exaltou os humildes, encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Ele socorreu Israel, seu servo. Deus “declare-se da parte dos últimos. O seu projeto que com frequência está escondido sob o terreno obscuro das vicissitudes humanas, que veem triunfar ‘os soberbos, os poderosos e os ricos’. Contudo a sua força secreta está destinada a revelar-se no final” (n.243).

“A Virgem Maria não só ensina a ver a obra invisível de Deus, como orienta o nosso olhar “nas fraturas que marcam a humanidade, onde ocorre a distorção do mundo no contraste entre humildes e poderosos, entre pobres e ricos, entre saciados e famintos”, educando-nos “a adotar uma perspectiva diferente. […] Assim, a Virgem se torna “poetisa e profetisa da redenção”, porque dos seus lábios jorra “o hino mais forte e inovador que jamais foi entoado, o Magnificat (n.244).

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo 

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