Neste final de semana, celebramos a Solenidade da Assunção de Maria ao Céu. Significa, na tradição cristã católica, que ela foi levada ao céu preservada da mancha do pecado original. Acolhemos esta orientação na fé. Celebramos também a vocação dos consagrados e consagradas que enriquecem a Igreja pelo testemunho que dão a partir dos diferentes carismas e assumem, a partir desses carismas, o compromisso evangelizador.
São vários os textos bíblicos que nos ajudam a refletir sobre a Solenidade da Assunção. Uma referência significativa é o texto de Lucas (Lc 1,39-46), proposto para este domingo, que trata da visita de Maria a sua prima Isabel. A visita acontece em momento posterior a duas visitas feitas pelo enviado de Deus que foram transformadoras na vida dos visitados. Lucas as descreve no primeiro capítulo do Evangelho (Lc 1,5-80). A primeira é a visita do anjo a Zacarias, com a notícia de que ele e sua esposa seriam agraciados com um filho (Lc 1,5-25). Isabel expressa a alegria do casal idoso que não tinha mais a esperança de ter filhos: “Eis que o Senhor fez por mim, nos dias em que decidiu tirar de mim a humilhação pública” (Lc 1,25). Um casal sem filhos não era visto com bons olhos naquele tempo. Além da alegria dada ao casal, havia um projeto por trás da visita. João Batista, filho de Isabel e Zacarias, alegria do local e sinal da bênção do alto, tinha a mão de Deus consigo (Lc 1,66), em vista da missão de anunciar o Salvador.
A segunda visita tem como interlocutora Maria, a jovem de Nazaré, prometida em casamento ao carpinteiro José (Lc 1,27). O anjo anuncia a Maria uma proposta: ser a mãe do Salvador. Ela procura compreender o anunciado. Tendo o mínimo entendimento, manifesta o seu consentimento. Mesmo já tendo um projeto de vida, valeria agora a Palavra e a vontade do Senhor (Lc 1,38). Sua vontade ficou em segundo plano.
Deu-se, segundo o texto de domingo, a terceira visita, uma visita revestida de sentido humano. Maria foi às montanhas visitar Isabel, pois soubera da sua gravidez pelo anjo. Humanamente, foi ao encontro para a troca de novidades. As duas mulheres estavam grávidas em circunstâncias muito especiais. Foi um encontro repleto de alegria humana e graça divina.
A acolhida de Isabel explicita o que o anjo havia lhe afirmado. Ela manifesta alegria pela visita da prima, sentido humano, e mãe do seu Senhor, sentido divino. Em seus lábios, o Espírito se manifestava, ou seja, Deus novamente se dirigia a Maria, agora através da prima. Isabel também afirma a bem-aventurança de Maria, porque acreditou em um grande projeto. Segundo José Antonio Pagola, as duas mulheres grávidas conversam sobre o que estão vivendo no íntimo do seu coração. Não estão presentes os varões. Nem sequer José poderia ter acompanhado sua esposa. Quem melhor capta o que está acontecendo são estas mulheres, cheias de fé e de Espírito (Pagola 2012, p. 29).
A acolhida da prima deu a Maria uma grande certeza. Deus a escolhera para uma grande missão. Não seria fácil, como não era fácil a vida das mulheres do seu tempo. Entretanto, tinha a certeza de que Ele estava ao seu lado, como entoou no cântico na casa de Isabel: “Minha alma exalta o Senhor, Deus meu Salvador, porque olhou para a humilhação da sua serva” (Lc 1,47-48).
Nessa certeza, assumiu a maternidade de Jesus, aliada ao esposo José, para que o Salvador da humanidade tivesse uma família. No decorrer da caminhada, deu outro passo ainda mais exigente: fez-se discípula do Filho, seguindo com Ele o caminho missionário, que passou pela dor da cruz e a Ressurreição. O ato de dizer “faça-se em mim segundo a sua Palavra” deixou para Maria um caminho extremamente rico no cumprimento da Palavra do Senhor. A última imagem dela na Sagrada Escritura retrata, no período pós-Ressurreição, Maria reunida com os discípulos, assinalando que ela, assim como o Filho, permaneceu fiel até o fim (At 1,14).
A Igreja reconhece o bonito caminho de Maria que a levou até o céu. Ela fez por merecer. Este pode ser o nosso caminho. Temos uma Palavra que nos orienta, a comunidade eclesial que nos acolhe e Maria que nos inspira. Sigamos os passos de Maria.
Pe. Ari Antonio dos Reis.










