Neste quarto domingo de agosto, rezamos e agradecemos a Deus pela presença dos leigos e leigas contribuindo na missão evangelizadora da Igreja. Eles acolhem, a seu modo, o compromisso herdado no Batismo de assumir a responsabilidade pela causa de Jesus Cristo, como afirma a Constituição Dogmática Lumen Gentium: ”em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. Com efeito, o supremo e eterno sacerdote, Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o seu testemunho e serviço, vivifica-os pelo seu Espírito e, sem cessar, os incita a toda obra boa e perfeita” (LG 34).
A ação salvadora de Jesus Cristo é continuada na ação dos leigos. Agradecemos os belos testemunhos que temos na ação pastoral nos processos internos da Igreja, como também o testemunho dado no mundo, agindo como sal e luz (cf. Mt 5,13-16). Como define o Documento de Aparecida, são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, e homens e mulheres do mundo no coração da Igreja (cf. DAp 209). Os leigos, como sugere o Evangelho deste domingo, reconhecem Jesus como Messias e o testemunham por meio de sua vida e de seu exemplo.
A proposta do Evangelho deste 21º Domingo do Tempo Comum convida à inspiração de Pedro reconhecer Jesus como Messias e, a partir desse gesto, assumir um caminho de testemunho, só possível pela fé. Jesus estava no território de Cesareia de Filipe, uma região periférica e habitada por não judeus. Ali, pergunta aos discípulos quem as pessoas diziam que Ele era. Mais precisamente: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? ” (Mt 16,13).
A resposta, a partir da percepção dos discípulos, não é plenamente satisfatória, tendo presente tudo o que Jesus já havia feito em benefício do povo. Havia certa confusão na percepção das pessoas sobre a identidade de Jesus, expressa pela “escuta” dos discípulos: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16,14). Não conseguem revelar realmente quem era Jesus. Todavia, ligam Jesus à tradição profética, algo positivo, mas ainda amarrado ao passado.
Jesus era o presente, a grande novidade, fruto do amor de Deus. Ele mesmo já havia afirmado que era o vinho novo (Mt 9,17). Fazia-se necessário aprofundar o conhecimento sobre Jesus para superar aquela imagem distorcida.
O Filho de Deus pergunta agora ao grupo dos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou? ” Pedro responde que Jesus era o Messias, o Filho de Deus. Jesus felicita Pedro por acolher a revelação divina e reconhecê-lo como o Messias.
Vê-se que são dois movimentos intercalados: Deus apresenta Jesus como o Seu Messias, o Seu enviado, e Pedro o reconhece. Existe um complemento entre essas ações, e ali está a bem-aventurança petrina. Os primeiros interpelados não haviam dado esse passo, ficaram na leitura superficial, porque não viviam a proximidade com Jesus.
Isso implica compreender que o reconhecimento de Pedro foi fruto do discipulado, do seguimento de Jesus. Não bastou dizer sim ao chamado. O sim dado exigiu a proximidade física e da proposta de Jesus. Somente esta condição permitiu reconhecer Jesus como o Messias. Tal reconhecimento não nasce pronto; é fruto da caminhada do discipulado e do comprometimento.
Na condição de discípulo e reconhecedor de Jesus como o Messias, Pedro recebeu Dele uma missão: dar continuidade ao projeto: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16,18). É uma missão especial: “Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus” (Mt 16,19). Porque desejada pelo Pai e motivada por Jesus, esta Igreja jamais será vencida pelas forças do mal, em vista de sua responsabilidade junto à humanidade.
A experiência de Pedro pode ser a nossa experiência. É importante que nos compreendamos, como homens e mulheres seguidores da experiência de Pedro. Ele teve condições de reconhecer Jesus como Messias na medida em que se aproximou do Filho de Deus, sem reservas, diferentemente dos demais, que tinham apenas uma ideia de quem Ele realmente era.
Ao nos fazermos próximos de Jesus, sabemos quem Ele é e também conhecemos a sua proposta. Isso exige outra atitude: deixar-se guiar pelo Pai neste caminho. É um peregrinar que se dá guiado pela fé, e não por conjecturas humanas. O próprio Jesus afirmou: “Não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (Mt 16,17).
Esses princípios darão aos cristãos do nosso tempo as condições de testemunhar Jesus e fazer as ligações necessárias às quais Mateus se refere, dando continuidade ao projeto do Reino iniciado por Jesus.
Possamos assumir este caminho e viver esta experiência.
Pe. Ari Antonio dos Reis










