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Você comeria um bife que nunca veio de um boi? Carne feita em impressora 3D já está no prato de consumidores Tecnologia transforma proteínas vegetais em cortes que imitam carne bovina e já chegou a restaurantes da Europa; afinal, isso representa o futuro da alimentação ou uma ameaça à carne tradicional?

Imagine sentar em um restaurante, pedir um bife, cortar a carne, sentir a textura, o aroma e até a aparência de gordura entre as fibras. Agora imagine descobrir que aquele alimento nunca fez parte de um animal.

Parece ficção científica, mas já existe.

A chamada “carne impressa em 3D” deixou os laboratórios e chegou aos restaurantes europeus. Empresas especializadas desenvolveram tecnologias capazes de organizar ingredientes vegetais em estruturas que procuram reproduzir as características de cortes tradicionais de carne.

Um dos principais nomes desse mercado é a israelense Redefine Meat. A empresa utiliza uma tecnologia de fabricação aditiva para estruturar proteínas vegetais, gorduras e outros componentes em diferentes camadas, buscando reproduzir fibras musculares, gordura e a textura encontrada na carne convencional.

Você sabia que esse “bife” pode não ter absolutamente nada de boi?

É justamente aí que está a parte mais surpreendente.

Os produtos da Redefine Meat são feitos à base de plantas e não utilizam ingredientes ou subprodutos de origem animal. Mesmo assim, a empresa produz formatos que imitam cortes como flank steak, filé, carne moída, hambúrguer e outros produtos tradicionalmente associados à proteína animal.

A tecnologia tenta reproduzir não apenas o formato. A proposta é criar diferentes estruturas para simular fibras, gordura, suculência, aroma e sensação na boca.

Ou seja: não é simplesmente pegar uma massa vegetal e moldá-la no formato de um bife.

A ideia é tentar reproduzir a experiência de comer carne.

E isso já pode ser comido?

Sim.

A tecnologia já chegou ao mercado europeu. A Redefine Meat informa que seus produtos estão disponíveis em centenas de locais em Israel e na Europa, incluindo restaurantes, redes de steakhouse e estabelecimentos especializados.

Na Itália, a empresa também passou a atuar no mercado de alimentação fora de casa, dentro de sua expansão europeia.

A empresa começou a comercializar seus primeiros cortes inteiros à base de plantas na Europa ainda em 2021, inicialmente em restaurantes de países como Reino Unido, Alemanha e Holanda.

Desde então, a tecnologia avançou e chegou também ao varejo europeu. Em 2024, por exemplo, o Redefine Flank Steak passou a ser vendido para consumidores em mercados europeus.

Mas calma: isso não é “carne de laboratório”

Esse é um ponto importante.

Quando se fala em carne produzida com tecnologia, existem conceitos diferentes.

A carne vegetal impressa em 3D utiliza ingredientes de origem vegetal e tenta reproduzir as características da carne tradicional.

Já a carne cultivada é outra tecnologia: utiliza células animais cultivadas em ambiente controlado para produzir tecido.

Portanto, aquele bife impresso em 3D vendido pela Redefine Meat não é carne cultivada. É um produto vegetal desenvolvido para imitar a carne.

Afinal, isso é bom ou ruim?

A resposta está longe de ser simples.

Para quem não come carne, a tecnologia pode representar uma alternativa capaz de reproduzir parte da experiência de comer um bife sem utilizar animais.

Para a indústria, representa uma nova fronteira tecnológica.

Mas existe outro lado.

Produtos ultraprocessados à base de plantas podem ter formulações bastante diferentes da carne convencional, e comparar automaticamente os benefícios nutricionais dos dois produtos seria um erro. A composição precisa ser analisada produto por produto.

Também existe uma questão econômica gigantesca.

Se a tecnologia conseguir produzir alimentos semelhantes à carne em grande escala e com custos competitivos, o impacto poderá atingir uma das maiores cadeias produtivas do planeta.

E é justamente nesse ponto que a discussão fica ainda mais importante para o Brasil.

E o Brasil? A carne impressa vai chegar aqui?

A tecnologia ainda não significa que os tradicionais cortes bovinos brasileiros serão substituídos por impressoras 3D.

Também não há motivo para afirmar que uma “carne chinesa” esteja simplesmente chegando aos supermercados brasileiros.

O cenário é mais amplo: empresas de diferentes países trabalham com proteínas alternativas, impressão 3D e novas formas de produção de alimentos, enquanto o mercado brasileiro acompanha a evolução dessas tecnologias e das regras para novos produtos alimentícios.

A própria Redefine Meat atualmente concentra sua comercialização em Israel e em mercados europeus, e a disponibilidade varia conforme o país.

O que está em jogo?

Talvez a pergunta mais interessante não seja se a carne impressa em 3D vai substituir o churrasco.

A pergunta é:

até onde a tecnologia será capaz de chegar?

Hoje, uma máquina consegue organizar ingredientes vegetais para tentar reproduzir a aparência e a textura de um corte de carne.

Amanhã, a tecnologia pode ser mais barata, mais acessível e estar presente em muito mais países.

E, se isso acontecer, o consumidor poderá ter diante de si uma escolha que até pouco tempo parecia impossível:

comer carne de um animal ou comer um produto fabricado para proporcionar uma experiência praticamente semelhante sem que nenhum animal tenha sido abatido.

Para um país como o Brasil, um dos grandes protagonistas mundiais da produção de carne bovina, essa discussão está apenas começando.

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