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Passo Fundo amplia presença nas exportações e lidera três segmentos no país

Foto: Michel Sanderi

Passo Fundo ampliou sua presença no comércio exterior nos primeiros sete meses de 2026 e alcançou posições de destaque entre os municípios exportadores do Rio Grande do Sul e do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisados pelo Observatório Econômico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, mostram que o município lidera nacionalmente três grupos de produtos e aparece entre os principais exportadores brasileiros em outros segmentos.

O levantamento, com período de janeiro a julho de 2026, revela uma pauta exportadora que vai além das commodities agrícolas. O agronegócio continua sendo um dos principais motores, mas máquinas e equipamentos, biocombustíveis e produtos destinados à área da saúde também têm participação relevante nas vendas externas.

O prefeito Pedro Almeida avalia que os números refletem o processo de diversificação da economia local e a estratégia de fortalecimento do ambiente de negócios. “Tenho dito, e os números comprovam, que Passo Fundo vive um momento de transformação econômica. Temos um agronegócio muito forte, mas também estamos avançando na indústria, na saúde, na inovação, nas energias renováveis e na tecnologia. Nosso trabalho é preparar a cidade para que as empresas que já estão aqui possam crescer e para que novos investimentos encontrem infraestrutura, segurança e oportunidades para se desenvolver”, afirma.

As informações reforçam ainda a posição de Passo Fundo como polo regional de produção, industrialização, comercialização, armazenagem, serviços e logística, conectando a economia do Norte do Rio Grande do Sul aos mercados nacional e internacional.

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Adolfo Freitas, os resultados mostram que a economia de Passo Fundo está cada vez mais diversificada. “Quando analisamos esses números, talvez o dado mais importante seja perceber que Passo Fundo não está presente no mercado internacional por apenas um produto ou um setor. Temos a força extraordinária do agronegócio, mas também estamos entre os principais exportadores brasileiros de máquinas, produtos industriais, biocombustíveis e produtos ligados à saúde. Isso demonstra uma economia diversificada, competitiva e cada vez mais conectada com o mundo”, afirma.

Entre os produtos de maior peso, a soja segue na liderança da pauta exportadora do município. Segundo os dados do MDIC sistematizados pelo Observatório Econômico, Passo Fundo exportou US$ 360,2 milhões em soja entre janeiro e julho, resultado que coloca o município na segunda posição entre os exportadores gaúchos.

Passo Fundo ficou atrás apenas de Rio Grande, com US$ 557,4 milhões, e à frente de Porto Alegre, com US$ 217,9 milhões; Cruz Alta, com US$ 145,5 milhões; e Santa Maria, com US$ 136,6 milhões. O desempenho evidencia não apenas a força da produção agropecuária, mas também a importância do município como centro de comercialização e conexão da produção regional com o mercado externo.

No trigo e na mistura de trigo com centeio, Passo Fundo aparece no topo dos rankings estadual e nacional. Foram US$ 85,2 milhões exportados no período, segundo o levantamento do Observatório Econômico. O valor supera as exportações de Cruz Alta, que registrou US$ 81,3 milhões; Rio Grande, com US$ 48,4 milhões; Santa Maria, com US$ 12,1 milhões; e Alegrete, com US$ 2,7 milhões.

O resultado coloca Passo Fundo na liderança brasileira de um segmento diretamente ligado à vocação agrícola da região e reforça a participação do município em uma cadeia produtiva estratégica para o Norte do Estado.

Outro destaque do agronegócio está no milho. Passo Fundo lidera as exportações gaúchas do produto, com US$ 57,9 milhões comercializados no exterior. Cruz Alta aparece na segunda posição estadual, com US$ 54,4 milhões, seguida por Porto Alegre, com US$ 31,3 milhões.

No ranking nacional, Passo Fundo ocupa a nona posição, ao lado de importantes polos agrícolas brasileiros, como Sorriso e Sinop, no Mato Grosso; Cascavel e Maringá, no Paraná; e Rio Verde, em Goiás. No arroz, o município também figura entre os principais exportadores do país, com US$ 24,2 milhões e a quarta posição nacional.

A indústria também aparece entre os segmentos de destaque. Nas exportações de máquinas e aparelhos mecânicos com função própria, Passo Fundo movimentou US$ 9,76 milhões entre janeiro e julho e alcançou a primeira posição no Rio Grande do Sul. O município superou centros industriais como Panambi, Gravataí, Santa Cruz do Sul e Caxias do Sul.

No ranking brasileiro, Passo Fundo ocupa a terceira posição nesse segmento, atrás apenas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, e Pomerode, em Santa Catarina. Já nas máquinas e equipamentos destinados aos setores agrícola, hortícola e florestal, foram US$ 6,33 milhões em exportações, garantindo a terceira colocação estadual e a sexta nacional.

A cadeia de biocombustíveis também ganhou espaço entre os produtos exportados pelo município. De acordo com o levantamento do Observatório Econômico, Passo Fundo comercializou US$ 18,83 milhões em glicerol bruto no exterior nos primeiros sete meses do ano, alcançando a primeira posição no Rio Grande do Sul e a quinta colocação no Brasil.

No biodiesel, as exportações chegaram a US$ 2,22 milhões. Passo Fundo foi o único município gaúcho com exportações registradas nesse grupo no período, garantindo a liderança estadual e a quinta posição nacional.

Os resultados apontam para a presença de uma cadeia econômica associada à produção de energias renováveis, à industrialização de matérias-primas agrícolas e ao desenvolvimento de soluções relacionadas à inovação e sustentabilidade.

Outro segmento de destaque é o da saúde. Na categoria que reúne glândulas, extratos, heparina e outras substâncias de origem humana ou animal preparadas para fins terapêuticos, Passo Fundo exportou US$ 6,33 milhões. O desempenho garantiu ao município a primeira posição tanto no Rio Grande do Sul quanto no ranking nacional.

A presença entre os líderes nacionais nesse segmento evidencia uma característica adicional da economia passofundense: a inserção no comércio exterior também por meio de produtos especializados e de maior valor agregado.

Considerando todos os grupos de produtos analisados pelo Observatório Econômico com base nos dados do MDIC/Comex Stat, Passo Fundo ocupa a primeira posição entre os municípios brasileiros em três segmentos: trigo e mistura de trigo com centeio, com US$ 85,2 milhões; produtos e substâncias de origem humana ou animal preparados para fins terapêuticos, com US$ 6,33 milhões; e misturas betuminosas, com US$ 474,7 mil.

Além das três lideranças nacionais, o município aparece em segundo lugar na cevada; terceiro em máquinas e aparelhos mecânicos; quarto no arroz e em outras gorduras e óleos animais; quinto no glicerol bruto e no biodiesel; sexto em máquinas agrícolas; e nono no milho.

Para Adolfo, os resultados também precisam ser analisados considerando a função econômica exercida pelo município em toda a região. “Passo Fundo exerce uma função que ultrapassa os limites do município. Somos um polo de armazenagem, comercialização, industrialização, logística, serviços e tecnologia para uma das regiões mais produtivas do Rio Grande do Sul. Quando Passo Fundo amplia sua participação no comércio internacional, estamos ajudando a conectar toda essa capacidade produtiva regional aos mercados do Brasil e do mundo”, destaca.

O desempenho das exportações está relacionado a diferentes cadeias produtivas instaladas no município e na região e se conecta às estratégias de atração de investimentos, qualificação da infraestrutura e fortalecimento da atividade econômica.

No cenário nacional, as exportações brasileiras somaram US$ 218,55 bilhões entre janeiro e julho de 2026, alta de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. Nesse contexto, os rankings por produtos mostram uma característica própria de Passo Fundo: a combinação entre a tradicional força do agronegócio e uma estrutura econômica que também reúne indústria, máquinas e equipamentos, saúde, logística e energias renováveis.

O acompanhamento desses indicadores é realizado pelo Observatório Econômico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, que monitora dados de emprego, abertura de empresas, atividade econômica, investimentos e comércio exterior. As informações são utilizadas para subsidiar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento e atração de investimentos para o município.

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