Estamos no último domingo do mês de agosto, 22ºDomingo do Tempo Comum. Celebramos o Dia Nacional do Catequista, tendo presente este universo de leigos e leigas que assumem a missão do anúncio de Jesus Cristo através da iniciação à vida cristã e da formação na fé. Agradecemos a Deus por tantos catequistas que dedicam seu tempo e seus dons a serviço da evangelização e da pastoral nesta Igreja particular de Passo Fundo. Segundo o Papa Leão XIV, os catequistas são aqueles discípulos de Jesus que se tornam suas testemunhas. O nome do ministério que exercem vem do verbo grego katēchein, que significa instruir de viva voz, fazer ressoar. Isto quer dizer que o catequista é uma pessoa de palavra, uma palavra que pronuncia com a própria vida (Mensagem por ocasião do Jubileu dos Catequistas).
Ser catequista é uma experiência viva e significativa, que marca a vida do interlocutor, da própria pessoa e da comunidade que os acolhe, em vista da evangelização. Lembremos dos nossos catequistas que nos iniciaram na fé, rezemos por eles e agradeçamos aos catequistas que testemunham Jesus em nossas comunidades.
O grande catequista da humanidade, Jesus Cristo, convida todos à coragem de assumir a cruz. É o centro da reflexão desse domingo. A primeira leitura, do livro do profeta Jeremias (Jr 20,7-9), já inspira à compreensão do sentido do Evangelho dominical, que fala do compromisso com a cruz. O profeta reza a Deus, que o chamara para a sua obra. A vocação de Jeremias é uma vocação inspirada por Deus e, em meio às resistências, é cuidada por Deus. Ele quer pessoas dispostas e suficientemente corajosas para assumir as consequências do “sim” dado.
No Evangelho sugerido, (Mt 16,21-27), explicita-se a tensão diante do desafio de assumir as consequências do “sim” dado ao Senhor: assumir a cruz. Recordemos que, no Evangelho proposto para o domingo passado (Mt 16,13-20), o discípulo Pedro reconheceu Jesus como o Messias, o Filho de Deus. Jesus, por sua vez, o declarou feliz, bem-aventurado, e deu a ele a missão de conduzir a Igreja no mundo. Ele era a “pedra” sobre a qual a Igreja estaria fundamentada (Mt 16,18).
Contudo, quando Jesus mostrou as consequências da missão que estava assumindo e que, de certa maneira, seriam responsabilidade também do discipulado — ida para Jerusalém, perseguição, sofrimento, cruz e ressurreição (cf. Mt 16,21) —, Pedro chamou Jesus à parte e o repreendeu. Na sua compreensão, tal coisa não deveria acontecer com o Mestre (Mt 16,22).
A preocupação de Pedro talvez não fosse tanto com Jesus, mas com sua própria pessoa. Ele havia reconhecido Jesus como Messias. Entretanto, não estava disposto a assumir com Jesus as consequências daquela proposta: “perseguição, sofrimento e cruz”. Estava disposto a outro tipo de caminho, possivelmente mais tranquilo e conveniente aos seus interesses pessoais. Pedro estava equivocado.
E Jesus respondeu a Pedro com igual veemência. Primeiro, pediu que se afastasse e se compreendesse como discípulo. Também o chamou de Satanás. O termo “Satanás”, aqui, é compreendido como adversário ou opositor da proposta do Reino. O comportamento medroso e egoísta de Pedro era de oposição à proposta do Reino e não de adesão. Naquele momento, Pedro agia como “Satanás”.
Há uma terceira alusão a Pedro: foi chamado de “pedra de tropeço”, ou seja, sua atitude impediria a concretização da proposta de Jesus pelo fato de pensar como os homens e não segundo o desígnio divino.
Pedro revelou a contradição pessoal e, certamente, a do grupo. Estavam com Jesus enquanto discípulos, mas não estavam dispostos a assumir as consequências do discipulado por medo e comodismo. Não queriam a cruz, consequência do discipulado.
Em seguida, Jesus se volta para todo o grupo e deixa explícito o sentido do discipulado: renúncia de si mesmo, coragem de assumir a cruz e seguimento enquanto discípulo (Mt 16,24). Nesta opção, que envolve todo o ser, o discípulo vai encontrar o sentido da sua vida. Não o sentido do mundo, mas o sentido oferecido pelo Reino.
A segunda leitura proposta para este domingo, da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 12,1-2), retoma, na linguagem paulina, o convite feito por Jesus: a coragem de assumir as consequências do “sim” dado. É a atitude de oferecer-se como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: o culto espiritual. Nessa atitude, a pessoa cumpre verdadeiramente a vontade de Deus e encontra o sentido de sua existência.
Neste domingo, rezemos pelos catequistas que assumem o compromisso com Jesus, doando-se à comunidade. São discípulos e discípulas em nossos dias. Rezemos para que o Senhor inspire mais pessoas a encontrarem o sentido de seu existir, doando-se pela causa do Reino anunciado por Jesus e testemunhado em nossos dias. Este é o sentido da vocação cristã.
Pe. Ari Antonio dos Reis











