Para bebês que chegam ao mundo antes do tempo, pequenas gotas de colostro representam mais do que alimento: levam proteção, nutrientes e fortalecem o vínculo entre mãe e filho. No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, a colostroterapia integra a assistência materno-infantil e ganhou destaque durante o “Agosto Dourado”, mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação.
O processo envolve as equipes da Maternidade, UTI Neonatal e Sala de Coleta, que atuam diariamente na orientação e no auxílio às mães para a extração do colostro, que é o primeiro leite produzido após o nascimento. Mesmo em pequenas quantidades, ele é rico em nutrientes e componentes de defesa, fundamentais especialmente para os recém-nascidos prematuros extremos, que apresentam maior vulnerabilidade e imaturidade do sistema imunológico.
A pediatra neonatologista Dra. Cristiane Agostini Cassanelo e Daiane Almeida Solda, enfermeira especialista na área materno-infantil, participaram do programa Comando Popular da Rádio Planalto News (92.1), apresentado por Luiz Carlos Carvalho, e apresentaram a importância do trabalho realizado no Hospital São Vicente de Paulo.
Doutora Cristiane Agostini Cassanelo explica que a colostroterapia é indicada principalmente para bebês nascidos com menos de 28 semanas de gestação ou com peso inferior a um quilo, além daqueles que, devido à imaturidade ou a condições clínicas, ainda não podem receber o leite materno diretamente pelo seio ou por sonda. Entre os benefícios associados ao uso do leite materno nos bebês estão a redução do risco de infecções, a melhora da aceitação alimentar e do estado nutricional. Estudos também apontam possíveis melhorias no desenvolvimento cerebral e cognitivo, oferecendo componentes importantes para a proteção e o desenvolvimento da criança.

A colostroterapia começa com a extração do colostro pela mãe, na Sala de Coleta. O material é identificado, armazenado e encaminhado com segurança à UTI Neonatal, onde é cuidadosamente administrado na mucosa oral do bebê. A prática não substitui a alimentação, mas permite que o recém-nascido tenha contato precoce com os componentes protetores presentes no leite materno.
A enfermeira Daiane Almeida Solda, especialista na área materno-infantil destaca que o trabalho integrado da equipe multiprofissional é essencial para garantir a segurança do processo e acolher as famílias. Para as mães, a coleta do colostro também representa uma forma de participar ativamente do cuidado, mantendo-se próximas dos filhos mesmo diante da rotina da UTI.
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