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Doação de órgãos: diálogo em família é fundamental para transformar vidas Médico e coordenador da OPO 4 do HSVP Passo Fundo, Cassiano Ughini Crusius reforça a importância de manifestar em vida o desejo de ser doador

Foto: Ana Paula Koenemann – Comunicação HSVP

Um único gesto pode representar uma nova oportunidade para quem aguarda por um transplante. A doação de órgãos pode beneficiar até oito pessoas e transformar a dor de uma perda em esperança para outras famílias. Em razão do Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) reforça a importância da conscientização sobre o tema e da manifestação da vontade de ser doador ainda em vida.

Em 2026, a Organização de Procura de Órgãos (OPO 4), sediada no HSVP, registrou 74 notificações de morte encefálica em sua região. Desse total, 19 resultaram em doações de múltiplos órgãos. Embora o número seja superior ao registrado em anos anteriores, os dados evidenciam que ainda há espaço para ampliar a efetivação das doações.

Para o neurocirurgião e coordenador da OPO 4, Dr. Cassiano Ughini Crusius, a negativa familiar permanece entre os principais fatores que impedem a concretização de potenciais doações. Segundo ele, o diálogo dentro de casa é fundamental para que a vontade do possível doador seja conhecida e respeitada pela família.

“A nossa orientação é que todas as pessoas conversem entre si, conversem em família e deixem bem clara a sua vontade em vida, que é ser um doador de órgãos. Afinal, ninguém espera que isso vá acontecer. Quando acontece, o que facilita a decisão e deixa a família tranquila é atender ao desejo daquele paciente”, orienta.

A OPO 4 é responsável pela identificação de potenciais doadores, pelo acolhimento das famílias e pelo acompanhamento das etapas de captação de órgãos destinados a transplantes no Rio Grande do Sul. Para Cassiano, a conscientização precisa acontecer antes de uma eventual situação de emergência.

Manifestação da vontade

No Brasil, a doação de órgãos depende da autorização da família. Por isso, conversar previamente com os familiares e manifestar em vida o desejo de ser doador são atitudes importantes para que essa decisão seja conhecida.

Também é possível formalizar a intenção por meio de uma escritura pública de declaração de vontade, realizada gratuitamente e de forma sigilosa por pessoas maiores de 18 anos em Tabelionato ou Cartório de Registro Civil. O documento não garante a realização da doação, mas registra a vontade do potencial doador e pode contribuir para facilitar a comunicação entre a família e os serviços envolvidos no processo.

Processo criterioso e seguro

Antes que uma doação de órgãos seja considerada, é necessário confirmar o diagnóstico de morte encefálica. O procedimento segue protocolo rigoroso e critérios específicos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina.

O processo começa diante da suspeita de morte encefálica em pacientes com quadro neurológico grave. São realizadas avaliações clínicas por médicos capacitados, além de exames complementares que confirmam a ausência irreversível das funções encefálicas.

“O paciente está em coma, primeiramente. Esse paciente em coma, com alguns indícios de que esteja em morte cerebral, entra no que a gente chama de protocolo de morte cerebral. Depois, ele é avaliado e examinado por um médico capacitado para isso. Uma hora depois, esses mesmos testes são repetidos por outro médico, também devidamente capacitado. Ainda num terceiro momento, temos a realização de um exame complementar”, explica o Dr. Cassiano.

Somente após a conclusão de todas as etapas e a confirmação da morte encefálica é que a família é abordada sobre a possibilidade de doação.

Quando autorizada, a doação pode beneficiar pessoas que aguardam por transplantes de órgãos e tecidos como coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, intestino, córneas e ossos.

Entre os órgãos mais transplantados está o rim, que também apresenta alta demanda. “Temos muitos pacientes que dependem da hemodiálise e aguardam por um transplante para ter uma nova oportunidade de vida. Por isso, o rim é hoje o órgão mais transplantado e também um dos que apresenta maior demanda”, afirma o neurocirurgião.

Ação de conscientização

Para ampliar o debate e levar a informação para além do ambiente hospitalar, as equipes da OPO 4 e do Banco de Tecidos Musculoesquelético realizarão, no dia 28 de setembro, das 10h às 13h, uma ação de conscientização em frente à Unidade Teixeira Soares.

A iniciativa busca aproximar a comunidade do tema, compartilhar informações e incentivar o diálogo sobre a doação de órgãos entre familiares.

A ação reforça a mensagem da campanha: “Seja uma vida na vida de alguém. Doe Órgãos, Salve Vidas.”

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