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Por que uma estrada pedagiada ainda tem tantos problemas? ERS-135 volta a gerar reclamações

A pergunta parece simples, mas quem percorre diariamente a ERS-135 sabe que a resposta não é tão simples assim.

A rodovia, que liga Passo Fundo a Erechim e passa por municípios como Coxilha, Sertão e Getúlio Vargas, volta a chamar a atenção pelas condições do pavimento e pelas reclamações de quem depende da estrada todos os dias.

O assunto ganhou ainda mais força após uma ocorrência registrada na sexta-feira (2), no trecho entre Passo Fundo e Coxilha. Um caminhão teve o tanque de combustível perfurado e o diesel se espalhou por aproximadamente 500 metros da pista, provocando a necessidade de bloqueio parcial da rodovia e mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros e da EGR para a limpeza e liberação do trecho.

Segundo informações obtidas  pelo  repórter  Jeferson  Vargas, o problema teria começado depois que um dos pneus da carreta atingiu um buraco na pista e estourou. Com o impacto, o pneu teria atingido o tanque de combustível do caminhão.

O que poderia ser apenas um prejuízo mecânico acabou se transformando em uma ocorrência que exigiu uma grande mobilização, com atuação das equipes de atendimento e controle do trânsito.

E foi justamente esse episódio que voltou a trazer à tona uma reclamação antiga de quem conhece a ERS-135 não apenas de passagem, mas de quem percorre seus quilômetros praticamente todos os dias.

“Está cada vez pior”, relata motorista

Entre esses usuários está um motorista de Getúlio Vargas que trabalha como representante comercial e utiliza a ERS-135 diariamente.

Ele relatou indignação com as condições encontradas ao longo da rodovia.

“Eu utilizo a rodovia todos os dias e está cada vez pior. Não é apenas um ponto. São diversos pontos com problemas ao longo da estrada”, relatou.

O motorista também contou que já teve prejuízo com o veículo, uma das rodas acabou entortando depois que ele passou por um buraco existente na pista.

O relato representa uma preocupação que vai além do desconforto de dirigir por uma estrada irregular. Para quem utiliza a rodovia diariamente, um buraco pode significar prejuízo mecânico, perda de controle do veículo ou até uma situação de risco envolvendo outros usuários.

E, em uma estrada utilizada diariamente por veículos de passeio, ônibus e caminhões, qualquer problema no pavimento ganha uma dimensão ainda maior.

Uma rodovia pedagiada

A ERS-135 possui uma praça de pedágio  em Coxilha, administrada pela EGR. A própria empresa informa que administra o trecho entre Passo Fundo e Erechim e que os acessos aos municípios foram concebidos com obras e serviços realizados com a arrecadação da praça.

A EGR também possui registros de serviços e contratos relacionados à manutenção da ERS-135, incluindo intervenções no pavimento.

É justamente por isso que a situação provoca questionamentos entre os motoristas.

Quem paga pelo pedágio espera encontrar uma rodovia em condições adequadas de segurança e trafegabilidade.

O problema, segundo os usuários ouvidos pela reportagem, é que mesmo com a existência da cobrança e da estrutura responsável pela administração da estrada, ainda são encontrados trechos com buracos e irregularidades.

Uma preocupação que não é de hoje

A ERS-135 também possui histórico de acidentes e pontos que já despertaram preocupação das autoridades.

Ao longo dos anos, diferentes trechos da rodovia também foram alvo de intervenções, sinalizações e cobranças por melhorias. Em 2026, por exemplo, autoridades de Erechim voltaram a acompanhar obras e melhorias em acessos da ERS-135 após relatos de desníveis que representavam riscos para os motoristas.

Isso não significa que os acidentes registrados na rodovia tenham como causa as condições do pavimento. Cada ocorrência precisa ser analisada individualmente.

Mas a preocupação dos usuários permanece: uma estrada com grande movimento precisa oferecer condições adequadas para que o motorista possa trafegar com segurança.

O caso do caminhão que teve o tanque atingido após um pneu estourar depois de passar por um buraco reacende uma discussão que não é nova.

De um lado, existe uma rodovia estratégica para a região, utilizada diariamente para o transporte de pessoas e cargas.

Do outro, estão motoristas, que percorrem a estrada todos os dias e afirmam encontrar diversos pontos com problemas.

A reportagem permanece aberta para manifestações da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) sobre as condições atuais da ERS-135, os serviços de manutenção realizados, os pontos considerados críticos e as próximas ações previstas para a rodovia.

Reportagem: Jeferson Vargas

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