Grupo Planalto de comunicação

Os vinhateiros homicidas

Pe. Ari Antonio dos Reis

Neste 27º Domingo Comum continuamos acolhendo através da reflexão da Palavra de Deus a proposta de comunhão plena com a vontade do Criador. Toda a pessoa de fé é convidada a buscar esta comunhão, apesar de nem sempre ter acontecido de forma plena na história da salvação, como lembram os textos sagrados propostos para este domingo.  E, frente ao rompimento com a vontade de Deus, se explicita de forma plena a profecia que perpassa a Palavra de Deus. Profecia significa a denúncia das infinidades à vontade do Pai e convite à retomada do caminho proposto. A profecia é um ato de amor porque visa a recuperação dos que querem voltar ao Senhor.

A primeira leitura proposta (Is 5,1-7) apresenta a crítica do profeta Isaías  ao povo de Deus que não viveu a fidelidade ao projeto da aliança e não produziu os frutos esperados.  O profeta compara o povo de Israel a uma vinha que foi plantada e cuidada com zelo pelo proprietário que esperava bons frutos. Porém, esta vinha produziu “uvas selvagens”, o fruto indevido. Não cumpriu o esperado pelo seu Senhor. E o profeta afirmou: “a vinha é casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça e eis a injustiça; esperava obras de bondade e eis a iniquidade” (s 5,7). Significa que o povo de Deus se afastou da proposta e com isso rompeu com a aliança caindo no pecado.

O Evangelho de Mateus (Mt 21,33-43) apresenta Jesus na cidade de Jerusalém onde chegara após a sua peregrinação pela Galileia. Na cidade de Jerusalém enfrentou os líderes e autoridades que não eram fiéis à missão de cuidar do povo de Deus, pelo contrário sustentaram uma sociedade injusta e rompida com a vontade de Deus. E ali Jesus agiu como o profeta do Pai. Segundo o texto, Jesus encontrou-se os chefes dos sacerdotes, representantes do poder religioso; e os anciãos do povo, representantes do poder econômico. Ambos formavam, junto com os fariseus, uma aliança que agia de forma injusta segundo os critérios do Reino e se colocaram como adversários diretos do Filho de Deus, o promotor da justiça do Reino.

A eles Jesus contou a parábola dos vinhateiros homicidas.  Estes receberam a missão de cuidar e proteger a vinha do Senhor, mas agiram com violência e truculência na hora de prestar contas da missão. Não receberam os enviados do Senhor no tempo da colheita. O Senhor da vinha não desistiu e enviou outros empregados, tratados da mesma forma. Quando enviou seu filho único o mataram. E Jesus perguntou aos trabalhadores o que deveria ser feito com os vinhateiros homicidas. A partir da resposta emite o seu julgamento sobre as autoridades com quem dialogava.

Eles rejeitaram o Filho de Deus, a pedra angular, o próprio Jesus, e com isso perderam o caminho da salvação, perderam o Reino que Jesus propunha. O Senhor da vinha não ficará impassível diante da negação. Continua com sua proposta amorosa. Encontrará outros vinhateiros dispostos a cuidar da sua vinha para produzir bons frutos (Mt 21,45).

Aqui, à semelhança do evangelho do domingo passado, a referência se dirige aos considerados impuros na sociedade daquele tempo, os que estavam à margem, mas que se mostraram abertos e disponíveis para cuidar da vinha do Senhor. Serão os novos arrendatários.

Assim como Jesus, deixam de ser a pedra rejeitada para ser a pedra angular na qual fundariam um novo projeto, o projeto desejado por Deus. Serão os testemunhos fiéis de um novo caminhar, ocupando-se do que realmente é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e honroso (cf. Fil 6,8), agindo assim como sinal para os demais.

É a prática de quem se compromete com as coisas de Deus em fidelidade ao seu Filho. É o agir profético e comprometido com a construção da paz.

Pe. Ari Antonio dos Reis

 

 

 

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