Grupo Planalto de comunicação

Quase 1,2 mil ocorrências e episódios de violência marcam as Eleições 2026 nos dois turnos Balanços do Ministério da Justiça registraram 646 ocorrências no primeiro turno e 548 no segundo. Mortes em locais de votação, agressão contra vereadora, problemas no transporte de eleitores e extensão do horário de votação estiveram entre os fatos de maior repercussão.

As Eleições 2026 foram marcadas por registros policiais e episódios que repercutiram em todo o país. Entre o primeiro e o segundo turno, os balanços divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública contabilizaram, juntos, 1.194 ocorrências. Os dados correspondem a levantamentos realizados em horários específicos e não representam necessariamente o balanço definitivo de todo o período eleitoral.

Além das infrações eleitorais, o pleito teve casos de mortes em locais de votação, violência política, dificuldades no transporte público, investigações policiais e uma decisão judicial que alterou o horário de encerramento da votação no segundo turno.

Primeiro turno teve 646 ocorrências

No dia 4 de outubro, durante o primeiro turno, o Ministério da Justiça registrou 646 ocorrências até as 17h. Desse total, 593 foram classificadas como crimes eleitorais.

Entre os registros, a propaganda eleitoral irregular representou 31,3% dos crimes eleitorais, seguida pela boca de urna, com 27,9%, e pela compra de votos ou corrupção eleitoral, com 13,3%.

O balanço também apontou cinco crimes comuns contra candidatos e sete ocorrências em locais de votação ou apuração. Durante as ações de segurança, foram apreendidos aproximadamente R$ 108,5 mil em dinheiro, quatro armas, 5.557 materiais de campanha e 13 veículos.

Mortes em locais de votação

Um dos episódios que marcaram o primeiro turno foi a morte de eleitores após passarem mal durante a votação. Levantamentos publicados ao longo daquele domingo apontaram ao menos cinco mortes em diferentes municípios do país, incluindo ocorrências em Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Cupira (PE), Manaus (AM) e Rio de Janeiro (RJ).

Os casos tiveram circunstâncias distintas. Houve pessoas que passaram mal enquanto aguardavam na fila, outras que sofreram mal súbito dentro de locais de votação e eleitores que morreram após votar. Em diferentes situações, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas as vítimas não resistiram.

As ocorrências mobilizaram equipes de atendimento e autoridades eleitorais. Em alguns locais, a votação precisou ser reorganizada para permitir o atendimento e os procedimentos necessários.

Segundo turno registrou 548 ocorrências

No segundo turno, realizado em 25 de outubro, um balanço posterior da Operação de Segurança das Eleições 2026 contabilizou 548 ocorrências.

A principal categoria foi a violação ou tentativa de violação do sigilo do voto, com 207 registros, equivalente a 37,5% do total. Também foram contabilizados 76 casos de boca de urna, 62 de propaganda eleitoral irregular, 40 de desordem que prejudicou os trabalhos eleitorais e 39 de outros crimes eleitorais.

O levantamento apontou ainda 37 casos de desobediência às ordens da Justiça Eleitoral e dez ocorrências de impedimento ou embaraço ao exercício do voto.

Em outro balanço divulgado durante a noite, o Ministério da Justiça havia informado 618 ocorrências. A diferença entre os números está relacionada aos boletins e horários de divulgação. Para a soma apresentada nesta reportagem, foi utilizado o levantamento posterior de 548 registros.

Vereadora é agredida durante ato político em Minas Gerais

Na véspera do segundo turno, a vereadora Iara Pimentel, de Montes Claros (MG), foi atingida no rosto por um objeto durante uma carreata política. O carro de som em que ela estava foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos, conforme relatos divulgados após o episódio.

A parlamentar precisou de atendimento do Samu e foi encaminhada ao hospital, onde passou por exames e permaneceu em observação antes de receber alta médica.

A Polícia Federal confirmou que investigaria o caso. Iara compareceu à delegacia da corporação em Montes Claros para prestar depoimento, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou que havia imagens do momento da agressão.

O episódio ampliou a repercussão dos casos de violência política durante o período eleitoral. A vereadora defendeu a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

Retenção de ônibus em Salvador gera intervenção da Justiça Eleitoral

Outro episódio de grande repercussão no segundo turno ocorreu em Salvador (BA), após denúncias de problemas na circulação do transporte público. Pelo menos 75 ônibus foram apontados como retidos em garagens, dificultando o deslocamento de eleitores.

O caso envolveu uma controvérsia sobre adesivos com o número 13, associado ao PT, encontrados em veículos. A Prefeitura de Salvador atribuiu a retenção a esse impasse, enquanto a Justiça Eleitoral determinou providências para assegurar a circulação do transporte.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e ordenou medidas para garantir a disponibilização da frota. O episódio levou a discussões sobre possíveis prejuízos ao direito de voto e motivou pedidos judiciais relacionados ao horário de encerramento da votação.

STF amplia votação até as 19h

Diante das denúncias sobre dificuldades no transporte de eleitores, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário de votação até as 19h em todo o país, no segundo turno.

O Ministério Público Eleitoral se manifestou contra a prorrogação e defendeu a manutenção do horário previsto em lei, com a apuração dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos. Mesmo assim, a decisão judicial determinou a extensão do período de votação.

A medida provocou dificuldades operacionais porque algumas urnas já haviam sido encerradas às 17h. Esses equipamentos não poderiam ser reabertos, enquanto as seções que ainda estavam em funcionamento deveriam seguir as orientações da Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral também suspendeu temporariamente a totalização dos votos durante a reorganização dos procedimentos.

A situação se tornou um dos acontecimentos mais discutidos do segundo turno, envolvendo o direito ao voto, a disponibilidade do transporte público e os procedimentos de encerramento e apuração.

Polícia Federal abriu milhares de investigações no período eleitoral

Além dos registros feitos nos dias de votação, a Polícia Federal informou ter instaurado 1.610 inquéritos durante o período eleitoral. O balanço apresentado pelo diretor-geral da corporação também apontou 104 inquéritos relacionados à violência política de gênero.

Esses números abrangem investigações conduzidas ao longo do período eleitoral e não devem ser somados às ocorrências registradas nos dois turnos, pois representam categorias diferentes de dados.

Balanço das Eleições 2026

A soma dos dois boletins utilizados nesta reportagem chega a 1.194 ocorrências: 646 no primeiro turno e 548 no segundo. Entre os registros mais frequentes estão propaganda eleitoral irregular, boca de urna, violação ou tentativa de violação do sigilo do voto, desordem e desobediência às determinações da Justiça Eleitoral.

Os números, porém, não resumem todos os acontecimentos que marcaram o pleito. As mortes em locais de votação, a agressão contra uma vereadora, os problemas no transporte público e a extensão excepcional do horário de votação também tiveram destaque na cobertura das eleições.

Como os balanços foram divulgados em horários específicos e podem ter sido atualizados posteriormente, o total deve ser entendido como uma referência baseada nos boletins consultados, e não como o número definitivo de todos os incidentes ocorridos durante as Eleições 2026.

Facebook
Twitter
WhatsApp