A guerra entre Rússia e Ucrânia já resultou na morte de 35 brasileiros e deixou outros 92 desaparecidos que atuavam no conflito ao lado das forças ucranianas. Os números voltaram a chamar atenção para a presença de estrangeiros no campo de batalha e para os riscos enfrentados por quem decide participar da guerra.
Desde o início da invasão russa, em 2022, a Ucrânia passou a receber voluntários de diferentes países por meio da Legião Internacional, uma unidade formada por estrangeiros incorporados às Forças Armadas ucranianas.
Entre os brasileiros que foram para o conflito estão combatentes motivados por diferentes razões, como questões ideológicas, experiência militar, desejo de participar da guerra ou pelos contratos financeiros oferecidos.
Um dos principais debates envolvendo esses estrangeiros é a classificação jurídica: eles são considerados soldados ucranianos ou mercenários?
A Ucrânia afirma que os voluntários estrangeiros incorporados oficialmente às suas forças possuem contratos militares, seguem a hierarquia do Exército e têm os mesmos direitos e deveres dos soldados ucranianos. A Rússia, por outro lado, adota uma posição diferente e classifica os estrangeiros que lutam pela Ucrânia como mercenários. Na visão russa, eles não seriam militares regulares e poderiam não ter as mesmas proteções previstas pelas normas internacionais para prisioneiros de guerra.
Além dos riscos dos combates, os valores oferecidos pelos governos também influenciam a decisão de alguns estrangeiros. Pela Ucrânia, combatentes contratados podem receber salários que variam conforme a função exercida e a proximidade da linha de frente, com adicionais para operações em áreas de maior risco. A Rússia também oferece incentivos financeiros para atrair voluntários, incluindo bônus de assinatura e pagamentos mensais para soldados contratados.

Apesar das promessas financeiras, relatos de veteranos mostram que a realidade no campo de batalha é muito diferente. Soldados enfrentam longos períodos em trincheiras, ataques constantes, condições extremas e o risco permanente de ferimentos ou morte.
Também existem relatos de falsas promessas de altos pagamentos feitas por intermediários e grupos que buscam atrair estrangeiros para o conflito. O governo brasileiro recomenda que cidadãos evitem qualquer envolvimento com forças armadas estrangeiras e alerta que a assistência consular em regiões de guerra pode ser limitada devido às condições de segurança.
A participação de brasileiros na guerra da Ucrânia segue levantando debates sobre os riscos pessoais, as consequências jurídicas e o papel de estrangeiros em um dos conflitos mais intensos da atualidade.
Reportagem: Jeferson Vargas
Grupo Planalto de Comunicação











