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Caso Dal Agnol: investigações apontam que advogado planejava fuga

No final da manhã desta terça-feira, 23, os promotores de Justiça Paulo Cirne, Marcelo Pires, Álvaro Poglia e Júlio Balardin, e os delegados Mário Vieira e Mauro Vinícius Soares de Moraes concederam entrevista coletiva à imprensa para dar maiores informações sobre a prisão de Maurício Dal Agnol, ocorrida na noite de ontem, 22, em Passo Fundo.

Depois de sete meses de investigações, contados a partir de fevereiro deste ano, mês em que foi desencadeada a Operação Carmelina, diversos documentos foram recolhidos e analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, dando origem a diversas ações penais, e culminando com o pedido de prisão preventiva de Maurício Dal Agnol.

Conforme o promotor Álvaro Poglia, na semana passada foi afastado, para fins processuais, o sigilo bancário de Dal Agnol e a equipe de investigações pôde constatar a grande movimentação financeira das contas do advogado. A partir de então os órgãos chegaram à conclusão de que havia grandes indícios de que Dal Agnol estava arquitetando uma fuga da cidade. “A partir disso, o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal renovaram junto à Justiça, o pedido de prisão preventiva do suspeito, para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em vista o perigo de fuga iminente”, relatou o promotor.

Ao final da tarde dessa segunda-feira, 22, foi emitido o mandado de prisão do advogado, que foi cumprido com celeridade pela Polícia Federal. No momento da prisão, foi apreendida junto com Dal Agnol uma quantia de aproximadamente R$ 200 mil em espécie, além de um grande valor em cheques e um visto que possibilitava a volta do advogado aos Estados Unidos. “Tudo isso, confirmou a tese do MP de que o investigado estava se preparando para a fuga”, afirma Poglia.

Além disso, outras ações do advogado também deram indícios de sua intenção. “Além da grande movimentação financeira, Dal Agnol estava tentando retirar o patrimônio de seu nome, para que, no caso de ser condenado, a Justiça não tivesse o que apreender”, relatou o delegado Mauro Vinícius de Moraes, da Polícia Federal.

Por determinação judicial, desde junho deste ano, Maurício Dal Agnol se apresentava semanalmente na 3ª Vara Crime do Foro de Passo Fundo. Ele também precisou entregar seu passaporte e deveria pagar a quantia de R$ 1 milhão, valor que seria usado para ressarcimento das vítimas. O advogado, porém, alegava não ter condições financeiras para pagar tal valor.

“O que Dal Agnol fez foi um deboche com a Justiça gaúcha, pois alegava não ter condições financeiras para pagar o que lhe foi ordenado e enquanto isso movimentava grandes quantias em suas contas. As grandes movimentações são, inclusive, de julho, quando ele já sabia qual era sua pena. e mesmo assim, continuou a enganar o Judiciário”, destacou o promotor Marcelo Pires, um dos envolvidos nas investigações.

Dal Agnol responde ações penais por diversos crimes

Maurício Dal Agnol foi encaminhado ao Presídio Regional de Passo Fundo, onde permanece à disposição da Justiça, que dará andamento ao caso. O advogado já responde a ações penais pelos crimes de apropriação indébita qualificada; uso e fabricação de documentos falsos – que diz respeito aos alvarás que eram adulterados por Dal Agnol e sua equipe -; lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas e projécteis.

Os advogados de defesa de Maurício Dal Agnol já entraram com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça. A solicitação será analisada.

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