O Supremo Tribunal de Justiça emitiu uma liminar nessa segunda-feira (23), com poder de Habeas Corpus determinando a soltura de cinco indígenas que estavam sob custódia, acusados de terem participado do assassinato de dois agricultores em Faxinalzinho em abril deste ano.
Em conversa com a Rádio Planalto, o Delegado Mário Vieira, que comandou a operação que prendeu os indígenas, disse que o Poder Judiciário Gaúcho foi pego de surpresa pela decisão. “Nós fomos pegos de surpresa pela decisão do Superior. O juiz, que estava longe dos fatos, certamente não analisou a gravidade da situação, e soltou os principais suspeitos, o que atrapalhou muito a investigação. Mas a polícia não vai parar. Vamos até o fim do inquérito para elucidar o fato”, afirma o delegado.
Questionado sobre o estágio em que se encontra a investigação, o delegado disse que agora, com os indígenas soltos, o processo é mais complicado e vai demandar mais tempo, mas que a Polícia vai concluir o inquérito. “Agora nós vamos ter que reestruturar a investigação e alterar os procedimentos. Continuamos com o nosso trabalho, pois a participação dos indígenas no crime é veemente, e existem outros que também estão envolvidos. Nós vamos concluir o inquérito e mandar para a Justiça com todas as provas para a condenação”, destaca.
Ainda conforme o delegado, o laudo da necropsia, que está anexado nos autos do processo, mostra que um dos agricultores foi ferido com 35 disparos, e outro com 28, o que mostra que o crime foi cometido por um grupo, que já foi identificado. “O próximo passo é fazer com que os indígenas que foram soltos voltem para a prisão, pois entendemos que esses homicidas não podem ficar soltos durante a investigação”.
O delegado relata que recebeu ligações dos familiares das vítimas, e que os agricultores de Faxinalzinho estão revoltados com a decisão do STJ. Alguns até já deixaram suas localidades, devido à insegurança. “Nós tememos que haja algum problema e, se houver, a responsabilidade agora é do ministro”, finaliza o delegado.
Confira no áudio a entrevista com o delegado Mário Vieira.











