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Catequistas: testemunhos de fé

No quinto domingo do mês de agosto celebramos o Dia Nacional do Catequista. A celebração se insere na caminhada do mês vocacional que tem como tema “peregrinos porque chamados” e lema “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5).

Na Arquidiocese de Passo Fundo, por ocasião do Jubileu dos Catequistas, celebrado no dia 30 de março, aferimos que mais de 2300 catequistas atuam nas comunidades, contribuindo na formação e no caminho de fé de muitas pessoas, de maneira toda especial, nos processos de iniciação à vida cristã de crianças, adolescentes, jovens e adultos. A missão do ser catequista é um testemunho valioso que lembra os primeiros cristãos que anunciavam o nome de Jesus com alegria e destemor, segundo o princípio da experiência querigmática “não podemos deixar de anunciar o que vimos e ouvimos” (1Jo 1,3).

A vocação do catequista compreende alguns pressupostos que a suscitam e a acompanham ao longo da sua jornada. É ministério que nasce com a comunidade e se alimenta na comunidade. O catequista, a partir da sua vida batismal e da vocação que recebeu como dom, vive o seu ministério em nome da comunidade eclesial que o envia. Jamais fala em nome próprio, mas é portador do anúncio querigmático que a Igreja lhe confere como missão.  É também um testemunho valioso vivendo sua vocação inserido na sociedade, na vida ordinária de cada dia, como sinal visível dos valores do Evangelho.

A missão do catequista começa e se fundamenta no encontro pessoal com Jesus, experiência essa que é intransferível e irrenunciável. O Papa Bento XVI, na Encíclica Deus Caritas est, falava que a fé nasce do encontro com Jesus, que dá um sentido especial à vida. Dizia Bento XVI “ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (Deus Caritas est 1). Este encontro transformador, possivelmente mediado por outra pessoa, passa orientar a vida do catequista. Tudo o que faz assume este acento identitário. O faz como pessoa de fé, despido de um ser antigo, sem a força de Cristo, e revestido de um novo ser, revestido de Jesus Cristo (Gal 3,27). O catequista é uma pessoa que viveu um encontro transformador com Jesus. Fez esta experiência assim como a mulher samaritana (Jo 4,7ss) ou como o apóstolo Paulo (At 9,3ss), e este encontro foi o diferencial em sua vida.

O catequista é alguém que busca a intimidade com a Palavra de Deus, e esta busca de intimidade não é peso ou aridez. É força e sustento da sua missão. O catequista é uma pessoa da Palavra de Deus e dela se aproxima, torna-se íntimo, se alimenta e procura transmitir aos outros. Justamente porque na Palavra está à fonte do seu ministério e de onde tira todo o seu saber evangelizador. Compreende que para dar conta da sua missão precisa “encharcar-se” da Palavra para depois transmiti-la com autoridade e testemunho. O catequista que se afasta da Palavra corre o risco de seguir um rumo próprio e deixar de falar as coisas de Deus para falar as coisas suas e do mundo. Aí perde a sua identidade. A intimidade com a Palavra é parte da identidade do catequista.

O catequista é também pessoa de comunidade na medida que sua missão se dá e se configura ligada a uma comunidade de fé a qual ele presta serviço como catequista. Esta comunidade confiou ao catequista a missão da iniciação à vida cristã, da formação, da catequese batismal e outras demandas concernentes ao seu ministério. É uma graça e um compromisso que leva a frente sob a inspiração do Espírito Santo. Todas estas atividades são exercidas com verdadeiro espírito comunitário.

Na comunidade, o catequista está em contado direto com pessoas especiais que são os seus interlocutores. Aqui, a referência é a pessoa do catequizando nas condições que se apresenta à comunidade e ao catequista.  São pessoas reais, que vêm de famílias reais e vão se manifestar no processo da catequese a partir dessas condições de vida. Com elas o catequista dialoga na perspectiva da iniciação cristã e outros passos da evangelização. Deve, com simplicidade, serenidade e discernimento, acolher as informações que estas pessoas trazem dos seus espaços de vida, acolhendo-as no trabalho de catequese. Jesus fazia isso muito bem na sua ação evangelizadora. Vivia em grande sintonia com a realidade do seu povo. Aqui aparece a dimensão da escuta, amplamente desenvolvida no processo sinodal eclesial.

O catequista não age sozinho. Como pessoa de Deus e de vida comunitária, compreende que sua missão é inspiração divina. Seria prepotência de nossa parte pensarmos que, ao assumirmos as tarefas para as quais Deus nos convidou, Ele nos deixaria sozinhos. Toda a atividade eclesial acontece sob o mandado divino e inspiração do Espírito Santo. No seu trabalho, o catequista sabe que conta com a força do alto que vai lhe ajudar a cumprir com a sua obra. Rezar ao Espírito Santo é o primeiro passo de um processo mais amplo que é colocar toda a ação sob sua inspiração. Na missão está a somatória da força, criatividade e vontade do catequista e a sua confiança na ação do Espírito. Ambas se complementam.

O catequista desenvolve seu trabalho como uma grande oferta a Deus. Faz jus ao canto: “nós recebemos tantos dons para partilhar; e como é bom poder servir e trabalhar e como é bom poder servir e trabalhar”. De Deus recebemos tudo, e o que pudermos partilhar através do serviço aos irmãos pela oferta dos dons vocacionais, é um pouco do que devolvemos ao Criador. Compreende-se a missão do catequista como uma grande oferta a Deus. É o que o catequista pode fazer e faz com amor dando seu tempo e seus dons para a sua comunidade e para os catequizandos.

Celebrando a vocação específica do ser catequistas neste domingo, agradecemos pelo testemunho e missão de cada um e de cada uma, e roguemos a Deus que continue chamando pessoas para o seu seguimento, para que suscite novos catequistas para o serviço das nossas comunidades, sobretudo, que o chamado de Jesus ressoe no coração dos nossos jovens.

 

Agradecemos aos catequistas da Arquidiocese de Passo Fundo pelo serviço, pelo senso comunitário e pelo testemunho dado a cada encontro.

 

 

Pe. Ari Antonio dos Reis

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