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Dezesseis pessoas são indiciadas pelo incêndio da Boate Kiss

Cinquenta e quatro dias após a tragédia na Boate Kiss, a polícia divulgou o resultado das mais de 13 mil páginas do relatório sobre a investigação do caso.  Foram 35 indicativos de responsabilizações. 16 indiciamentos criminais. 10 indícios de crime (9 vão para a Justiça Militar e 1 para o Tribunal de Justiça) e 9 pessoas indiciadas por improbidade administrativa. As informações foram passadas pelo delegado Marcelo Arigony.

Os indiciados

Indiciados por homicídio doloso (dolo eventual): cantor e produtor da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, os dois sócios, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, e o gerente da Kiss, Ricardo de Castro, além da mãe, Marlene Teresinha Calegaro, e da irmã de Kiko Spohr, Angela Calegaro

Homicídio culposo – Secretário de Mobilidade Urbana, secretário de Meio Ambiente, chefe de fiscalização e secretário que emitiu alvará de funcionamento da boate Kiss

Prefeito Cezar Schirmer deve ser investigado pela Justiça por improbidade administrativa, além do comandante regional do Corpo de Bombeiros de Santa Maria, coronel Moisés Fuchs

Também foram indiciados bombeiros que assinaram a liberação do alvará de funcionamento da boate Kiss

O Processo

Mais de 800 pessoas foram interrogadas. Foram extraídas imagens e vídeos dos celulares das vítimas. Também foi feito um escaneamento digital da boate.

Documentos que davam a permissão de funcionamento da boate comprovam falhas de segurança no local, haviam diversas irregularidades na boate. Alvarás e PPCI apresentaram este grande número de falhas.

Laudos apontam que a espuma e a sinalização eram inadequadas. A boate estava superlotada. Extintores não funcionaram e as grades de proteção dificultaram a saída.

A noite do incêndio

A polícia chegou a conclusão que o incêndio na boate começou às 3h17 da manhã.A causa das mortes foi identificada pelo desprendimento de monóxido de carbono e cianeto causado pela queima da espuma. Esta espuma baixou e fez com que as vítimas ficassem cambaleando.

Através de depoimentos, afirma Arigony, foi detectada a superlotação da casa. O relatório aponta que o incêndio iniciou após o uso de fogos de artifício pelo vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus Stanos. As chamas começaram sob o palco e, tanto Marcelo quanto um segurança tentaram apagar o fogo, mas, os extintores não funcionaram. Proprietários da boate também tentam apagar o fogo, mas sem sucesso.

O relatório também aponta que as vítimas tinham dificuldade de encontrar a saída, pois, não visualizavam luzes ou sinais da porta. As barras de ferro dificultaram muitas vítimas de deixarem a boate Kiss, afirmou Arigony. O relatório apontou ainda que por alguns momentos, seguranças impediram a saída de clientes.

Mais de cinco pessoas morreram por entrarem na boate para salvar vítimas e não conseguirem mais sair.

Números dos depoimentos:

119 pessoas afirmaram que o local estava superlotado

83 pessoas afirmaram que Marcelo de Jesus Santos usou fogo de artificio na mão e apontou pro teto

50 pessoas viram fogo ao lado do palco

181 pessoas viram que o  fogo iniciou em cima do palco. “Se o fogo tivesse iniciado perto da porta de saída, não quero nem pensar o que pudesse acontecer” “Se o fogo tivesse iniciado perto da porta de saída, não quero nem pensar o que pudesse acontecer”  afirma Arigony

108 pessoas viram o vocalista e um segurança usarem extintor e, este, não funcionar

153 pessoas não viram luzes, placas ou sinais da saída de emergência

84 pessoas observaram que os seguranças impediram a saída das vítimas por alguns segundos ou minutos.

124 pessoas afirmaram que as barras de contensão prejudicaram a saída.

178 pessoas já haviam visto a utilização de fogos na boate em outras oportunidades.

no mínimo 5 pessoas entraram para salvar pessoas mas faleceram.

Com informações da Rádio Gaúcha

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