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É quaresma!

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo

O objetivo do tempo litúrgico da Quaresma é apresentado na oração da coleta do primeiro domingo: “Deus todo-poderoso, através dos exercícios anuais do sacramento da Quaresma, concedei-nos progredir no conhecimento do mistério de Cristo e corresponder-lhe por uma vida santa”. A quaresma acontece num espaço de tempo de 40 dias. Nós precisamos de momentos fortes para organizar a nossa vida, e o mesmo vale para a vida espiritual. Porém, fazer exercícios espirituais, crescer no conhecimento de Jesus Cristo e ter uma vida santa deve ser uma atitude permanente do cristão. A quaresma se torna um tempo favorável, um tempo de exercícios mais intensos para viver bem a vida cristã na rotina.

O tema da liturgia do primeiro domingo da quaresma é a tentação. Ela é uma prova da fidelidade do homem a Deus (Gênesis 2,7-9;3,1-7, Salmo 50, Romanos 5,12-19 e Mateus 4,1-11). Jesus é tentando, mas não cede ao tentador; Adão e Eva caem na falsidade da serpente; e na Carta aos Romanos São Paulo faz um paralelismo entre Adão e Jesus Cristo. “Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará pra uma situação de justiça”. A desobediência do homem e da mulher não distanciou Deus das suas criaturas, mas ele inicia uma história de salvação. “Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho” (Hb 1,1-2). Hoje Deus continua vindo a nós, de muitas formas, mas principalmente pela Igreja que oferece os sacramentos de salvação.

As tentações de Jesus podem ser sintetizadas em três pontos: Jesus foi tentado no começo de sua missão apostólica; as tentações se referem à sua identidade e funções messiânicas; Jesus vence a tentação na fidelidade à vontade de Deus. Durante toda vida pública, de diferentes formas, Jesus é questionado sobre sua identidade de Messias. Outro momento forte de tentações está situado na agonia do Getsêmani: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice. Contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt26,39). Pregado na cruz os malfeitores tentam novamente Jesus: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz” (Mt27,40). Mas Jesus permanece fiel à missão recebida de salvar a humanidade.

“O Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo”. Na Bíblia o deserto assume vários significados: lugar de castigo e de morte, de intimidade e de prova. É o significado de prova que o Evangelho relata. O povo de Deus foi conduzido pelo deserto na saída do Egito. Um período cheio de provações. As tentações nem sempre são negativas. Elas podem se tornar um oportunidade de verdade e autenticidade, porque revela a pessoa a si mesma. No deserto a pessoa se sente pequena e necessitada, onde o esforço do trabalho é ineficaz. Esta escassez se torna uma interrogação sobre a existência e sobretudo com as relações que fazem viver.

As três tentações de Jesus têm relação com Deus. Elas interrogam sobre o que faz o homem viver? Do que o homem realmente tem necessidade? Jesus rejeita que seja o pão ou o poder, mas a fidelidade a Deus faz viver. O diabo quer dividir, separar o homem de Deus apresentando outros caminhos de salvação. Jesus não abandona o caminho de Deus, nem confia numa fé de milagres que se nutre de sentimentalismos e ídolos; refuta toda lógica do poder; rejeita a pretensão do homem que se absolutiza a si mesmo e os meios que dispõe. Jesus afirma a fidelidade absoluta ao Deus da vida.

A Quaresma é um tempo favorável exercícios para o fortalecimento da vida cristã. Ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A escritura e os padres insistem principalmente em três formas – o jejum, a oração, a esmola – que exprimem a conversão com relação a si mesmo, a Deus e aos outros” (n.1434) “Esses tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)” (n. 1438).

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

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