No Evangelho deste 17º Domingo do Tempo Comum, Jesus, continuando a catequese sobre o Reino dos Céus, conta mais três parábolas que retratam o Reino dos Céus. Acentua-se que o ensinamento, via parábolas, objetivava desafiar seus ouvintes ao discernimento sobre o sentido do Reino e a adesão, como um caminho de salvação.
Quando Jesus fala que o Reino é como um tesouro escondido no campo e menciona o encontro como motivo de grande alegria (Mt 13, 44), o apresenta como uma descoberta transformadora na vida da pessoa ao ponto de implicar na mobilização de todas as suas forças em vista da sua propriedade. O Reino, um dom gratuito manifestado na prática de Jesus, dá um sentido à trajetória daquela pessoa e permite um novo caminhar. Em nossos dias, quando muitos flertam com a perda do sentido em viver, a experiência de fé, de encontro com a proposta de Jesus dá um novo sentido à vida humana. E esta “propriedade” ninguém poderá tirar. É uma alegria para a vida toda que enche o coração (cf. EG 1).
Jesus também fala da experiência do Reino como a jornada de um comprador de pérolas em busca de pérolas preciosas (Mt 13,45-46). Ao encontrar uma pérola de grande valor, durante a busca, vende todos os seus bens e adquire aquela pérola. E faz isso com alegrai porque vale a pena. Então o Reino traz uma exigência de entrega total, sem reservas e com isso se faz do ser humano apto a participar. Não é peso, mas entrega livre e espontânea porque ali se encontra verdadeiramente o valor da jornada.
A opção pelo Reino também provoca ao discernimento. Esta dimensão está presente na terceira parábola contada por Jesus, ao mencionar o Reino comparado aos pescadores que, ao recolherem as redes, escolhem os peixes bons e descartam os que não prestam (Mt 13, 47-50). É preciso discernir, segundo os critérios do Reino, como agir no mundo. E agir, sobretudo, com justiça e em vista do bem comum. É o princípio do caminho para a salvação.
É importante retomarmos as duas primeiras parábolas mencionadas no texto em diálogo com a memória deste Domingo, São Joaquim e Santa Ana e o dia dos idosos. Os idosos são os tesouros muitas vezes escondidos em nossas famílias e na sociedade. São invisibilizados por uma concepção de mundo marcada pelo etarismo, que os compreende como estorvo ou empecilho para a boa fluência da vida familiar e do ciclo social. É atitude própria de uma sociedade que valoriza apenas o “ter” e considera “tesouro” o bem material, como denuncia o Papa Francisco na Exortação Evangelli Gudium: não é possível que a morte por enregelamento não seja notícia enquanto o é a queda de dois pontos na Bolsa (EG 53). Jesus não fala desse tesouro. Essa concepção de tesouro não aproxima o ser humano do Reino. Ela afasta do Reino, porque desconhece aquilo que é o mais precioso no Reino dos Céus, o ser humano, seja qual for a sua idade, seja na vida intrauterina ou no ocaso existencial.
Coloca-se nesta data o desafio de revisitarmos os tesouros que estão presentes em nossas famílias e na sociedade e que a Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, sabiamente enfoca neste domingo, os avós e os idosos.
Eles são o passado, no sentido em que trazem viva a memória da família e as raízes familiares que são muito importantes para o ser humano. E o passado, nas alegrias, dificuldades e tristezas, tem um sentido pedagógico importante para todo o ser humano.
Nossos avós e idosos são o presente, porque acentuam a diversidade geracional existente na família e na sociedade. Esta diversidade convida ao diálogo, à troca de saberes e experiências que sugerem o crescimento e o aprendizado para todos.
Eles são o futuro, porque apontam para as gerações mais novas uma possibilidade existencial a ser alcançada segundo um discernimento sóbrio, sem idealismo, mas interagindo com os sinais dos tempos, visto que somos todos humanos somos desafiados a dialogarmos com cada época sem nos desconectarmos com o fio da história e da tradição.
É importante estabelecer a proximidade e o diálogo com estes “tesouros”, dons de Deus presentes em nossas famílias e em nossa sociedade. Certamente será um caminho de muito crescimento e aprendizado.
Pe. Ari Antonio dos Reis











