O mundo inteiro está envolvido em questões ambientais. Os desastres naturais, os efeitos climáticos, a confusão entre as estações do ano. Tudo isso está fazendo com que o homem perceba que sua ação sobre a natureza está começando a receber uma resposta bastante severa.
Nesse contexto, práticas alternativas de geração de energia estão sendo bastante estudadas, buscando sistemas que provoquem um impacto menor no meio ambiente. Dentre elas, está a energia renovável, que é gerada a partir de recursos naturais.
Uma das formas de energia renovável é a energia solar, que é muito vantajosa quando se fala em custos, pois é gratuita e diariamente está sendo fornecidaem abundância. Os aquecedores solares têm sido uma maneira ecologicamente correta e barata de se ter sempre água quente em residências, hotéis e prédios comerciais.
Para saber um pouco mais a respeito de como captar e armazenar energia solar em nossas residências e como funcionam os aquecedores, a ComArte conversou com Luciano Brum Ribeiro, proprietário da empresa Hidro Quente, que trabalha com os aquecedores Transsem e que atende à região norte do estado. Confira.
ComArte: Como é feita a captação da energia solar?
Luciano Brum Ribeiro: O sistema de aquecimento solar capta a energia solar em placas, transformando em energia térmica, que então é armazenada em um reservatório de água quente, específico para este fim.
ComArte: Qual é a forma de instalação das placas? É necessária uma estrutura própria e específica?
Luciano: A forma de instalação, normalmente em telhados, é preferencialmente voltada para o lado norte, se o telhado não estiver voltado para o norte é preparado um suporte com ferragem, para posicionar as placas.
ComArte: É necessária uma estrutura reforçada devido ao peso das placas?
Luciano: Existem placas pesadas, mas existem placas feitas inteiramente de alumínio; portanto não se tornam tão pesadas.
ComArte: Como é feita a manutenção do sistema de energia solar?
Luciano: A manutenção do sistema solar praticamente é fazer a lavagem dos coletores solares de seis em seis meses ou de ano a ano, dependendo de onde eles estão instalados.
ComArte: Para a realização da manutenção, é necessário ser um profissional da área, uma pessoa especializada?
Luciano: Se você tiver o telhado muito inclinado, deverá chamar alguém para fazer a limpeza, mas, se for um local de fácil acesso, você mesmo pode lavar com água e sabão.
ComArte: Qual o custo de um sistema solar?
Luciano: O custo de um sistema solar de 600 litros, que pode atender a uma família de até seis pessoas, pois é calculado em torno de 100 litros dia por morador da residência, está em torno de 8 mil reais. Já um sistema de 300 litros, que atende a uma família de cerca de quatro pessoas, está em torno de 6 mil reais.
ComArte: Quais a s vantagens de se instalar um sistema de aquecimento solar?
Luciano: A grande relação que se faz sempre, quando se fala em colocar um sistema solar, é com o fator ecológico; estar reutilizando uma energia que temos gratuita todos os dias. E a segunda questão é a de economia. Então, quem busca este sistema visa estes dois fatores, economia e uma energia limpa.
ComArte: Onde os aquecedores são mais utilizados, em casas, prédios, empresas, hotéis?
Luciano: Os nossos clientes em torno de 90% são residências. Este é o principal foco, residências de pequeno, médio e grande porte. Estamos colocando hoje o sistema solar em casas de pequeno porte através do programa Minha Casa Minha Vida, onde estão sendo entregues residências populares com um sistema solar de200 litros somente para banho.
ComArte: Qual a demanda atual em Passo Fundo e região?
Luciano: Aqui em Passo Fundo instalamos por semana seis equipamentos. E, com a chegada da copa de 2014, já fechamos neste ano com quatro hotéis, pelo sistema de grande porte ser econômico e também pela procura por hotéis que tenham o chamado Selo Verde.
ComArte: E em dias que não faz sol, podemos utilizar o sistema solar?
Luciano: Os reservatórios térmicos vêm com uma resistência elétrica que, nos dias em que não há incidência de sol, o cliente pode ligar o apoio elétrico.
ComArte: Como é o reservatório de água?
Luciano: Internamente é feito de inox, tem um isolamento térmico em poliuretano, uma chapa externa em alumínio para dar acabamento.
ComArte: Como é calculado o tamanho das placas de captação?
Luciano: O dimensionamento das placas para atender a uma família aqui no sul é usado um coeficiente de 1,4m para cada100 litros, já no nordeste se usa 0,8m. Duas preocupações que se deve ter na hora de fazer o projeto, são o volume de água que a família utiliza em tudo e o volume de placas compatíveis para aquele volume de água.
ComArte: Existem outras formas de captação de energia solar?
Luciano: Atualmente estamos voltando ao passado, reaproveitando em residências, churrascarias, restaurantes. Em todos aqueles clientes que utilizam lenha, churrasqueira, lareira, nós estamos instalando uma serpentina, fazendo com que, juntamente com a utilização desses produtos, ela também aqueça a água do banho. A serpentina aumenta a temperatura da água entre 20° e 25° graus Celsius dependendo da incidência do fogo.
ComArte: Em relação ao custo beneficio, qual tempo leva em média para o cliente ter o retorno do seu investimento?
Luciano: A tendência é de que todo e qualquer sistema solar se pague em três ou quatro anos, levando em conta que o sistema solar que a empresa trabalha tem a vida útil de vinte anos. E a garantia está em 10 anos sobre o produto e essa garantia é estendida, aqui no Sul ao sistema de anticongelamento.
*Matéria produzida para a Revista ComArte, da Faculdade de Artes e Comunicação da UPF
*Créditos: Jornalista Cleine Samara Weber











