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Felizes os ….

Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo

Jesus, na sua pregação, toca nos temas fundamentais da existência humana. Neste domingo inicia a abordagem sobre a felicidade (Sofonias 2,3;3,12-13, Salmo 145, 1 Coríntios 1,16-31 e Mateus 5,1-12). O desejo de felicidade está radicado em cada ser humano e faz parte das necessidades fundamentais como ar, a água, o alimento, a casa e os amigos. Se o desejo de felicidade é constitutivo do ser humano, por outro lado não há consenso sobre os meios de alcançá-la. As propostas são as mais diversas possíveis. Jesus não se exime de apresentar a sua proposta de vida feliz.

Jesus proclama bem-aventurados ou felizes: os pobres de espírito, porque deles é o Reino de Deus; os aflitos, porque serão consolados; os mansos, porque possuirão a terra; os que tem fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia; os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

Certamente, quando as multidões ouviram pela primeira vez da boca de Jesus este projeto de felicidade devem ter levado um susto. Devem ter surgido muitas interrogações sobre o significado do que é felicidade e como estes sofredores citados podem ser considerados felizes. Tanto que o evangelista Mateus por três capítulos vai explicitando as bem-aventuranças. As mesmas inquietações continuam rondando a nós, os seguidores contemporâneos de Jesus. Múltiplas são também as interpretações das bem-aventuranças. O biblista Silvano Fausti diz que é possível usar sete chaves de leitura para entrar no mistério deste texto: cristológica, teológica, antropológica, eclesiológica, escatológica e moral.

Considerando a chave de leitura cristológica, temos nas bem-aventuranças uma biografia escondida de Jesus, um retrato da sua vida. “Jesus, crucificado e ressuscitado, é a realização das bem-aventuranças. Enquanto crucificado, cumpre a primeira parte – é o pobre, aflito, manso, com fome, desejoso de justiça, puro de coração, pacificador, perseguindo – ressuscitado cumpre a segunda parte – o Reino é seu, é consolado, herda a terra, é saciado, encontra misericórdia, vê Deus, é Filho de Deus. As bem-aventuranças são a carta de identidade do Filho” (Silvano Fausti).

No caminho de felicidade apresentado por Jesus é possível destacar algumas características. A felicidade é encarnada, isto é, realista, concreta para não se tornar uma ilusão. Jesus antes de proclamar as bem-aventuranças as viveu. A sua força, o segredo da eficácia de sua missão está na total identificação com a mensagem que anuncia. A felicidade é envolvente e interior, pois toca as profundezas e a totalidade da pessoa. Não se trata de paliativo. Jesus cita situações de sofrimento, algumas das quais, mais dia menos dia, farão parte da vida de cada pessoa. A felicidade é um bem a partilhar. “Há mais felicidade em dar, do que em receber” (Atos 20,35). A felicidade é um bem durável, com perspectiva de eternidade. A maior parte das bem-aventuranças estão formuladas para o tempo futuro indicando que a plenitude somente se alcança ao final. Por fim, Deus é a verdadeira felicidade. A grande graça é o “Reino de Deus”.

A Igreja é constituída daqueles que escutam as bem-aventuranças e, com a força do Espírito, fazem delas a sua vida e a sua regra de vida. Elas também levam à oração:

“Senhor, temos tanta fome e sede de felicidade. Queremos ser felizes, sempre. As tuas bem-aventuranças nos entusiasmam e nos desencorajam. Nos entusiasmam porque vemos em ti um cantor da felicidade e uma pessoa que sabe dar indicações precisas, provadas por ti, experimentadas por milhões de pessoas que acreditaram em ti e se confiaram a ti. O tempo não desgastou a tua mensagem, nem a faz parecer superada, mesmo em meio a modismos. Também isto nos entusiasma. Estamos porém perplexos e um pouco desencorajados porque o encontramos um programa ousado, com exigências fortes, para homens duros. Obrigado, Senhor, que não abres mão de ser exigente, que nos propor metas árduas, obrigado sobretudo porque estais próximos de nós para tornar este sonho uma realidade, e já hoje nos fazes saborear a tua alegria, como preciosa antecipação daquela sem fim contigo, com o Pai e o Espírito Santo. Amém” (Mauro Orsatti)

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

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