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HSVP lança Guia Farmacoterapêutico

No dia 17 de novembro, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), de Passo Fundo, através da CESUMEM (Comissão de Estudo, Uso e Padronização de Medicamentos, Equipamentos e Materiais – Farmácia e Terapêutica, do NATS (Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde) e Serviço de Farmácia Hospitalar, realizou o lançamento do Guia Farmacoterapêutico 2014-2015.

Na cerimônia de lançamento, o vice diretor médico Dr. Júlio Stobbe afirmou que a quarta edição do guia traz informações relevantes para a prática cotidiana dos profissionais de saúde. Segundo ele, para a instituição hospitalar é amplo e complexo o trabalho de incluir medicamentos em uma única lista. “Há pressão grande de laboratórios, relevância quanto à eficácia e eficiência do medicamento, aplicabilidade, uso racional. Para nós, é muito importante dizer que o Hospital São Vicente não tem distinção de medicamento para convênio, particular e SUS”, enfatizou Stobbe, salientando que o guia é fruto de um trabalho sério, feito pela CESUMEM.

O atual presidente do CESUMEN/NATS, Dr. Cassiano Forcelini evidenciou que o novo Guia Farmacoterapêutico do HSVP é uma ferramenta para auxiliar aos profissionais envolvidos na prescrição, dispensação, preparação e administração de medicamentos. “Fruto do trabalho da CESUMEM/NATS no decorrer dos últimos anos, o guia traz não somente o rol dos medicamentos disponíveis no HSVP, mas também indicações de uso, formas de apresentação e de administração”.

Seleção de Medicamentos: O Papel da Evidência

Para o lançamento do Guia Farmacoterapêutico 2014-2015, a CESUMEM/NATS convidou a professora Lenita Wannmacher, de Porto Alegre, para apresentar a palestra Seleção de Medicamentos: O Papel da Evidência. A palestrante é professora jubilada de Farmacologia Clínica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade de Passo Fundo (UPF), membro do Comitê de Especialistas em Seleção e Uso de Medicamentos Essenciais da OMS, Genebra, do Comitê de Especialistas para Incorporação de Medicamentos no Fundo Estratégico da OPS, da Comissão Científica em Vigilância Sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), 2014/2017, entre outros órgãos representativos da área.

Há diferentes objetivos de se fazer uma seleção de medicamentos. Conforme Lenita, a seleção requer um processo, com fases, onde as pessoas envolvidas têm que ser bem escolhidas. “Todas têm que ter em comum a crença de que o foco maior deve ser o terapêutico ou seja, o benefício do paciente”, ressalta a professora. Ela explica que o processo visa o uso racional de medicamentos, entre outros critérios que precisam ser seguidos para resultar numa lista independente. “O foco econômico que se deve ter é no aspecto de selecionar o valor da medicação que seja suportável pelo sistema, mas não o interesse econômico”.

De acordo com Lenita, o que fundamenta esta seleção é a evidência. Segundo ela, todo o procedimento tem que ser baseado em evidência, o que também resulta em um aprendizado para os membros da comissão que elaboram a lista de medicamentos. O movimento da Medicina Baseada em Evidência foi o primeiro que ocorreu no mundo, há 20 anos. E, posteriormente, conforme a professora, se difundiu em outras profissões. “Na imensa quantidade de literatura que se faz em saúde, temos que aprender a avaliar e distinguir o que realmente conduz para uma mudança de atitude. Por exemplo, que resulte em um avanço terapêutico”. Entre vários avanços, Lenita cita o fato da indústria estar desenvolvendo a vacina para combater o Ebola. “Isto é um avanço tecnológico”, exemplifica.

Entre as empresas farmacêuticas, Lenita destaca que há pequenas modificações na molécula de um medicamento que deu certo, e assim vão se criando outras medicações. “Qualquer pequena modificação conduz a outro produto. Se criam famílias de medicamentos muito parecidos. Então, neste sentido, como eles são inovadores, o último que foi descoberto, seguramente tem o maior preço. O que é propagado, difundido pela indústria na mídia. Em razão de vivermos em uma era midiática, as pessoas e os profissionais valorizam muito o último, o mais inovador, por isso para uma instituição como um hospital, há uma oposição grande por parte dos clínicos, de quererem as medicações mais modernas”, constata Lenita. Em contrapartida, ela chama atenção de que não se pode elevar a linguagem tecnológica para a linguagem dos medicamentos, visto que se tratam de realidades diferentes.

Em relação ao Guia Farmacoterapêutico do HSVP, a professora afirma que a publicação deve orientar a prescrição médica no sentido de cumprir o que está na lista, porque já foi estudado, no viés da conduta baseada em evidência. “O guia precisa ser revisado, porque na medida em que se fazem novas pesquisas, há novas abordagens e tecnologias, trazendo resultados diferentes. Por isso, é importante a revisão. No momento em que uma comissão de Farmácia e Terapêutica, formada por pessoas idôneas, estudiosas, expertises, que atuam em conjunto para elaboração de um guia, este tem que ser aceito e seguido”.

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