O calendário de 2026 no Rio Grande do Sul não está sendo marcado por dias, mas sim por corpos. Em apenas 27 dias, o estado já contabiliza 10 feminicídios. O ritmo deste primeiro mês mostra que estamos falhando miseravelmente na proteção das mulheres.
Quem eram elas?
É preciso dar nome, rosto e data ao horror:
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03/01: Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte 31 anos, bombeira civil, morta a facadas em Guaíba.
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12/01: Letícia Foster Rodrigues 37 anos, encontrada degolada em uma área de mata.
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18/01: Marinês Teresinha Schneider 54 anos e Josiane Natel Alves 32, assassinadas no mesmo domingo — uma a tiros, outra com nove facadas.
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19/01: Paula Gabriela Torres Pereira 39 anos, executada em plena parada de ônibus.
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20/01: A adolescência interrompida de Mirella Santos com apenas 15 anos, esfaqueada no rosto e pescoço, e a vida de Uliana Teresinha Fagundes 59, morta a tiros.
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24/01: Karizele de Oliveira Sena 30, morta a facadas.
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25/01: Leila Raquel Camargo Feltrin 24 anos, vítima de golpes de faca.
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26/01: Paula Gomes Gonhi 44, a décima vítima, também morta por arma branca.
A lupa do ódio
Todos os assassinos eram maridos, namorados ou ex-parceiros. Isso nos obriga a olhar para a Lupa do Feminicídio. O assassinato é o ponto final de uma progressão de abusos que a sociedade ainda insiste em minimizar. O feminicídio começa na mentira, no controle, na ofensa e na humilhação. Ele se alimenta do silêncio de quem ouve o grito do vizinho e não disca 190.
Não basta lamentar. É preciso exigir punição exemplar; educação masculina; segurança efetiva. Muitas dessas mulheres foram mortas diante de seus filhos, provando que o agressor não teme as barreiras atuais.
Dez mulheres em vinte e sete dias. O Rio Grande do Sul precisa decidir se continuará sendo o estado que noticia o luto ou o que lidera a interrupção desse ciclo de ódio. Segurança para as mulheres não é um pedido de ajuda; é uma reivindicação de direito básico.











