Como é possível, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff nomear para o Ministério da Agricultura, em sua última “reforma ministerial”, um político ligado a um sinistro matadouro clandestino em Minas Gerais? Justo para o Ministério da Agricultura? Não haveria nenhum outro disponível para ele e seu partido? E não haveria, em 190 milhões de brasileiros, nenhum cidadão um pouquinho mais adequado para ser o ministro da Agricultura do Brasil? A presidente criou, para contratar aliados um Ministério da Micro e Pequena Empresa. Será que mais adiante não teremos um Ministério da Média Empresa e até mesmo da Grande Empresa? Criou um Ministério da Aviação Civil. E por que não um da Marinha Civil? Marinheiro também é filho de Deus – e de mais a mais, já existe um Ministério da Pesca, cujo ministro confessa que não sabe colocar um anzol na linha. O interesse do país, em todas essas decisões, é zero. Só importa quem vai ganhar o quê e qual o potencial de aproveitamento material dos cargos criados. Quanto mais ministérios e mais cargos – tanto mais vai se roubar. Os participantes da vida política brasileira estão inertes. Não são capazes de se indignar diante de atos repulsivos para a própria consciência. Convicção moral em favor da integridade e contra a safadeza.
Fonte : Revista Exame edição 1041 – 15-05-13 -P. 192










