Na manhã desta terça-feira (24), trabalhadores que atuam na construção da Cadeia Pública de Passo Fundo, localizada às margens da BR-285, entre Passo Fundo e Carazinho, entraram em contato com a reportagem do Grupo Planalto de Comunicação e denunciaram condições precárias no canteiro de obras. As informações foram repassadas de forma anônima, por medo de represálias e possível perda de emprego.
Segundo os relatos, os funcionários enfrentam dificuldades estruturais, principalmente em dias de chuva. O local apresentaria acúmulo de barro e pontos com fiação elétrica exposta próxima à água, o que aumentaria o risco de acidentes. Trabalhadores também afirmam que muitos atuam em altura sem ter realizado o curso obrigatório e que faltam equipamentos de proteção individual, como luvas e botas adequadas.
As denúncias incluem ainda reclamações sobre a alimentação fornecida no refeitório. Conforme os relatos, a quantidade de comida seria insuficiente e, em algumas ocasiões, haveria problemas na qualidade dos alimentos. Também foi mencionada a presença de roedores nas proximidades do espaço destinado às refeições.
Segundo um dos trabalhadores, falta papel higiênico nos banheiros, que estariam em condições precárias de higiene. Ele afirma ainda que não há intervalo de 15 minutos para o lanche, nem no turno da manhã nem no da tarde. “Estamos sendo tratados pior que escravos”, relatou.
Os funcionários afirmam que representantes do Ministério do Trabalho estiveram no local nesta terça-feira, mas alegam que os servidores do órgão teriam sido acompanhados por um superior da empresa responsável pela obra, o que teria impedido manifestações diretas sobre a situação. Eles defendem que seja realizada uma reunião reservada apenas com os trabalhadores.
Outro ponto levantado diz respeito à ausência do adicional de insalubridade, que, segundo os denunciantes, não estaria sendo pago aos trabalhadores. Também há queixas sobre tratamento considerado desrespeitoso por parte de integrantes do setor administrativo.
A Cadeia Pública de Passo Fundo tem previsão de conclusão para julho de 2026. A obra já ultrapassa 56% de execução e recebe investimento estimado em R$ 125 milhões. O complexo deverá ter capacidade para cerca de 800 apenados, distribuídos em 100 celas, além de contar com áreas administrativas, setor de saúde, pavilhão de trabalho e reciclagem e espaços destinados a visitas.
A reportagem deixa o espaço aberto para a empresa responsável pela obra prestar todos os esclarecimentos necessários.
Reportagem: Jeferson Vargas
Grupo Planalto de Comunicação













