Mais de 50 anos depois que a missão Apollo 11, lançada pela NASA, realizou seu primeiro pouso na Lua, o mundo vê a história acontecer novamente com o lançamento da Artemis II, a primeira missão tripulada para a Lua desde 1972. Agora com mais tecnologia e novas descobertas, a missão de cerca de 10 dias, já iniciou sua trajetória de retorno ao Planeta Terra e ainda deve responder a muitas perguntas. Mas uma delas surgiu ainda antes do embarque: por que a humanidade demorou tantos anos para voltar à Lua?
Conforme o coordenador do curso de Física da Universidade de Passo Fundo, professor Alisson Giacomelli, essa é uma pergunta bastante complexa de se responder. “Existem muitas razões, entre elas, estão questões econômicas, políticas, o fim da Guerra Fria. Houve também um redirecionamento dos esforços de exploração espacial para órbitas baixas. A Estação Espacial Internacional teve, por exemplo, um grande investimento na década de 1990, então são várias razões que explicam porque paramos de ir à Lua”, comenta.
Outra questão apontada pelo professor é o fato de que na missão Artemis II não houve pouso na Lua, apenas o sobrevoo. Para o professor, o principal objetivo dessa segunda missão – já houve uma missão anterior, em 2022, chamada Artemis I, não tripulada – é realizar uma série de estudos, como testes de mecanismos, dispositivos, a espaçonave e até mesmo os dispositivos de suporte à vida dos astronautas. “São várias pesquisas que vão servir como subsídio para futuras expedições. É preciso, por exemplo, entender os efeitos dessa missão na saúde dos astronautas e os efeitos de uma longa exposição no espaço à saúde humana, porque o objetivo da Artemis não é parar por aí e, sim, projetar um pouso na Lua nos próximos anos”, explica Alisson.
De acordo com o professor, todas as missões em que a espécie humana se desafia ao extremo acabam gerando muito conhecimento, desenvolvendo ciência e tecnologias que impactam em muitas questões. “Muitos tratamentos de saúde, muitas questões relacionadas à robótica, às telecomunicações, entre outros, foram desenvolvidas em virtude da exploração espacial, então, é algo que impacta a nossa vida aqui na Terra”, frisou pontuando também o recorde que foi batido com a missão Artemis. “Passamos de 400 mil km de distância da Terra, ou seja, batemos o recorde de maior alcance de uma exploração espacial tripulada pela Terra”, acrescentou.
Já retornando para a Terra, a previsão é que os tripulantes pousem no Oceano Pacífico na sexta-feira, dia 10 de abril. Conforme o professor, essa é uma fase crítica da missão, uma vez que a reentrada na atmosfera terrestre envolve vários riscos. “É claro que tudo é feito com muitos cálculos, é muito bem planejado, mas sim, envolve risco. Toda a missão para sair do Planeta, principalmente missões de longa distância, sempre envolvem muitos fatores de risco, então agora a reentrada também é um momento tenso, crítico, mas também de bastante expectativa. Estamos torcendo para dar tudo certo e aguardando os frutos dessa expedição em termos de desenvolvimento de conhecimento científico e para a gente entender um pouco melhor o espaço e como também poder explorar de forma segura regiões mais além do sistema solar”, finalizou.











