A Prefeitura de Passo Fundo lançou nesta quinta-feira (11) o novo edital de licitação do transporte coletivo urbano. O processo vai definir a empresa responsável pela operação do sistema pelos próximos 20 anos e tem como objetivo oferecer um serviço mais moderno, eficiente e alinhado às necessidades atuais da população.
O modelo foi desenvolvido com base em estudos técnicos que analisaram as mudanças na mobilidade urbana, o crescimento da cidade e os desafios enfrentados pelo transporte coletivo nos últimos anos. Entre as exigências estão a renovação da frota, ampliação da acessibilidade, uso de novas tecnologias, mais segurança e acompanhamento permanente da qualidade dos serviços.
A licitação escolherá a empresa ou consórcio que apresentar a menor tarifa técnica, garantindo competitividade e eficiência na prestação do serviço.
Cidade cresceu e a forma de se deslocar mudou
Os estudos que embasam o edital mostram que os hábitos de deslocamento da população mudaram significativamente nos últimos anos. O crescimento dos serviços digitais, do trabalho remoto, das compras online e dos aplicativos de transporte impactou diretamente a demanda pelo transporte coletivo.
Outro fator importante foi o aumento da frota de veículos particulares. Entre 2003 e 2024, o número de automóveis praticamente triplicou em Passo Fundo, enquanto a quantidade de motocicletas cresceu quase seis vezes.
Além disso, os efeitos da pandemia da Covid-19 ainda refletem no setor. Embora o número de passageiros tenha apresentado recuperação, os índices permanecem abaixo dos registrados antes de 2020.
Segundo o procurador-geral do Município, Giovani Corralo, o novo edital foi elaborado a partir de uma análise detalhada da realidade atual e das perspectivas futuras do transporte coletivo. “O estudo técnico demonstrou mudanças importantes nos hábitos de deslocamento da população, no crescimento da frota de veículos particulares e no surgimento de novos meios de transporte. Diante desse cenário, elaboramos uma modelagem moderna, juridicamente segura e alinhada às necessidades atuais e futuras de Passo Fundo”, afirmou.
As projeções apontam que o município poderá superar os 233 mil habitantes até 2045, o que reforça a necessidade de um sistema preparado para acompanhar o desenvolvimento da cidade.
Entre as principais novidades está a obrigatoriedade da instalação de GPS em toda a frota. Com isso, os passageiros poderão acompanhar em tempo real a localização dos ônibus e a previsão de chegada aos pontos por meio de aplicativos e plataformas digitais. Os veículos também deverão contar com câmeras de monitoramento, ampliando a segurança dos usuários e permitindo maior controle da operação.
De acordo com o secretário de Segurança Pública e Transportes, Tadeu Trindade, a tecnologia permitirá mais eficiência e transparência no serviço. “Estamos estruturando um sistema que amplia a capacidade de fiscalização do município e oferece mais segurança e previsibilidade para quem utiliza o transporte coletivo. Com monitoramento em tempo real e acompanhamento permanente dos indicadores de desempenho, teremos condições de garantir um serviço mais qualificado para a população”, destacou.
O sistema também contará com bilhetagem eletrônica integrada e compartilhamento de informações operacionais com o município, fortalecendo a fiscalização e o acompanhamento do contrato.
O edital prevê uma frota máxima de 113 veículos, sendo 105 em operação e oito de reserva. Os ônibus deverão ter idade média máxima de 7,5 anos e idade individual máxima de 15 anos.
Todos os veículos deverão atender às normas de acessibilidade, com elevadores para pessoas com deficiência, espaços para cadeirantes, assentos preferenciais e dispositivos que facilitem o embarque e desembarque de pessoas com mobilidade reduzida.
Também está prevista a implantação gradual de ônibus com ar-condicionado. Inicialmente, pelo menos 5% da frota operacional deverá contar com o equipamento, priorizando linhas de maior demanda e trajetos mais longos.
Outra novidade do novo modelo é a adoção de indicadores para medir a qualidade do serviço. Serão avaliados critérios como cumprimento das viagens programadas, pontualidade, regularidade da operação, condições da frota e satisfação dos usuários.
O objetivo é garantir melhorias contínuas e assegurar que o transporte coletivo atenda aos padrões de qualidade previstos no contrato.
Para Corralo, o novo processo representa uma oportunidade de estruturar um sistema mais sustentável e preparado para os desafios da mobilidade urbana. “Estamos construindo uma concessão baseada em planejamento, transparência e segurança jurídica. O objetivo é criar condições para que o transporte coletivo continue sendo um serviço essencial para a cidade, com capacidade de evolução ao longo dos próximos anos e foco permanente na qualidade do atendimento aos usuários”, concluiu.










