A cada dia que passa, o Brasil torna-se uma democracia menor. A liberdade vem sendo diminuída, pouco a pouco. A liberdade – frise-se – não é sinônimo de se fazer tudo o que se quer e sim fazer o que é permitido. Ela é o pilar principal da democracia, antes mesmo que a justiça e a igualdade. Regimes totalitários até podem possuir justiça e igualdade, mas nunca oferecem liberdade a seus cidadãos.
Observemos o caso da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O presidente deputado Pastor Feliciano disse uma gama enorme de bobagens, das quais também discordo. Mas pela essência da democracia ele pode emitir sua opinião, mesmo que seja uma bobagem! Feliciano está sendo condenado por delito de opinião! E isso é típico de ditaduras!
Além disso, uma reunião de Comissão da Câmara Federal não pode ser interrompida por um grupo de pessoas, seja ele composto por quem quer que seja. Abrimos assim precedente para que pessoas que se dizem representantes de determinados grupos possam decidir as atividades daqueles que são representantes – bons ou ruins – verdadeiramente eleitos pelo povo.
O Legislativo é a Casa dos representantes do povo. Goste-se ou não, mas essa é a regra do jogo. Corremos o risco de que grupos divergentes de manifestantes se encontrem em uma reunião de comissão. E aí? Quem terá mais poder? Vamos passar a decidir as coisas no grito?
Não quero dizer com isso que o povo não deva participar da vida política da sociedade. Ocorre que há regras e o sistema escolhido para nosso país é este que aí está. Temo que “grupos representativos” decidam, dentro em breve, o que se pode discutir em reuniões plenárias nas Câmaras de Vereadores, que cultos ou celebrações possam se fazer nos templos religiosos ou o que deva ser publicado nos estúdios de TV e rádio e nas redações dos jornais.
Prezo pela liberdade, que a duras penas foi conquistada por aqueles que nos antecederam.










