Nesta semana, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Passo Fundo passou a receber médicos e outros profissionais da saúde de diferentes municípios do Rio Grande do Sul para capacitação prática na base local. A iniciativa marca um novo momento do serviço, que passa a atuar também como polo formador, fortalecendo ainda mais a rede regional de urgência e emergência.
Em entrevista ao Grupo Planalto de Comunicação, a coordenadora do Samu de Passo Fundo e responsável técnica pelo serviço, Juliana Tessaro, afirmou que o município recebeu o primeiro profissional inscrito para esse modelo de treinamento prático. Trata-se do médico Guilherme Scarton Rossato, residente de cirurgia do Hospital Universitário de Santa Maria, que permanece na base entre os dias 2 e 4, atuando diretamente junto às equipes de suporte avançado.
“Ele está atendendo junto com as equipes, participando dos atendimentos na rua. Hoje, a viatura comporta quatro profissionais, sendo dois médicos. Essa capacitação é necessária para que o profissional fique apto. Quem ganha com isso é a população de Passo Fundo, que passa a contar com mais profissionais na viatura, melhor tempo de resposta e uma evolução mais adequada do paciente até a chegada ao hospital”, destacou Juliana.
A coordenadora explicou que, apesar de o Samu de Passo Fundo estar em atividade há 14 anos, esta é a primeira vez que a base passa a receber oficialmente profissionais de outros municípios para capacitação prática. A habilitação ocorreu no ano passado, em conformidade com a regulação estadual do Samu.
“Podem participar médicos, condutores socorristas, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Passo Fundo é referência para toda a região Norte do Estado e hoje é o Samu com maior número de atendimentos nessa região. Muitos profissionais já solicitavam vir para cá justamente para aprender a prática real do atendimento”, afirmou.
De acordo com Juliana, o alto volume de ocorrências é um dos principais diferenciais do serviço. “Tem dias em que realizamos até 36 atendimentos. O mínimo gira em torno de 15 por dia. A teoria é essencial, mas é na prática, com fluxo intenso, que o profissional realmente desenvolve suas habilidades no atendimento pré-hospitalar”, ressaltou.
Ela também explicou como funciona o curso introdutório prático exigido pela regulação estadual. Após a aprovação em processo seletivo, o profissional realiza um curso teórico obrigatório de oito horas e, posteriormente, precisa cumprir 48 horas de prática em uma base do Samu no Rio Grande do Sul.
O médico Guilherme Scarton Rossato destacou que escolheu o Samu de Passo Fundo pela referência que o serviço possui em todo o Estado. “Passo Fundo é um polo de saúde muito forte. A experiência que já tive em Santa Maria pode ser aplicada aqui, mas também ampliada. A troca de experiências entre os serviços é fundamental para o crescimento profissional”, afirmou.
Segundo ele, atuar em uma base com equipes experientes e alto volume de atendimentos contribui diretamente para a formação médica. “O contato com profissionais que ainda não nos conhecem, em situações reais, ajuda a avaliar se temos condições de atuar, aprender com cenários diferentes e evoluir tecnicamente. Essa troca é extremamente importante”, completou.
A médica Maria Cristina Magon, que atua no Samu de Passo Fundo, destacou que a vinda de profissionais de outras cidades consolida o trabalho sério desenvolvido diariamente no município. Segundo ela, o fato de colegas escolherem Passo Fundo para realizar o treinamento inicial obrigatório demonstra o reconhecimento da estrutura e da qualidade do serviço.
“Isso é muito importante para Passo Fundo, porque acaba consolidando o trabalho sério que é feito diariamente. Hoje, profissionais que ingressam no Samu escolhem Passo Fundo para esse primeiro contato, para cumprir as 48 horas iniciais de treinamento, porque a nossa base é estruturada, tem todos os alvarás, equipamentos e condições adequadas”, afirmou.
A médica ressaltou que a escolha pela base ocorre por admiração e referência técnica. “Assim como eu, quando entrei no Samu, escolhi Bento Gonçalves por ser um exemplo de base, hoje muitos escolhem Passo Fundo porque se espelham no trabalho realizado aqui. Isso nos deixa muito felizes, pois além de fortalecer o serviço local, esses profissionais levam o exemplo do Samu de Passo Fundo para suas cidades, ajudando a qualificar toda a rede”, completou.
A iniciativa reforça o papel estratégico do Samu de Passo Fundo não apenas no salvamento de vidas, mas também na formação e qualificação de profissionais da saúde, consolidando o município como uma das principais referências em urgência e emergência no Rio Grande do Sul.
Reportagem: Jeferson Vargas
Grupo Planalto de Comunicação













