O Governo do Rio Grande do Sul anunciou a criação de uma casa de passagem voltada ao acolhimento temporário e emergencial de famílias imigrantes e refugiadas, com prioridade para venezuelanas. A iniciativa, divulgada por meio de um edital de chamamento público, busca selecionar uma organização da sociedade civil responsável pela gestão da unidade, que deverá oferecer espaço adequado, atendimento contínuo e apoio integral às famílias acolhidas. A casa terá capacidade para receber até 20 famílias, o que corresponde a cerca de 50 pessoas, e funcionará 24 horas por dia, com previsão de início das atividades no primeiro semestre de 2026. As inscrições das instituições interessadas em gerir o serviço estão abertas até 5 de fevereiro.
A medida ocorre em um momento em que muitos venezuelanos buscam refúgio no Brasil diante das dificuldades sociais e políticas na Venezuela e de tensões internacionais recentes envolvendo o país vizinho. O foco na priorização de famílias venezuelanas surge em meio a este cenário de migração contínua para diferentes regiões do Brasil, incluindo o Sul do país, onde milhares foram interiorizados nos últimos anos por meio de programas de acolhimento.
No entanto, até o momento Passo Fundo não conta com uma casa de passagem específica voltada a imigrantes ou refugiados venezuelanos, apesar de a cidade ter recebido um número significativo de migrantes nessa condição. Projetos locais como a Casa de Passagem Madre Teresa de Calcutá oferecem acolhimento a pessoas em situação de rua e em trânsito, mas não são focados exclusivamente em refugiados ou em serviços especializados para acompanhamento de processos migratórios.
A presença de venezuelanos na região também tem sido observada em iniciativas da Universidade de Passo Fundo, que registrou milhares de atendimentos a migrantes e refugiados, muitos deles vindos da Venezuela e de outros países, para questões documentais e de integração.
Organizações que atuam no estado, como a Casa dos Imigrantes e Refugiados do Rio Grande do Sul, trabalham para oferecer suporte legal, ajuda na busca de moradia e apoio na integração dessas pessoas na sociedade gaúcha, reforçando a importância de políticas públicas e redes de acolhimento mais amplas para responder à demanda crescente.
A proposta de ampliação de casas de passagem e serviços especializados no Rio Grande do Sul reflete um esforço para fortalecer a assistência social e responder às necessidades de grupos em vulnerabilidade, incluindo migrantes e refugiados, enquanto debates sobre ampliação desses serviços para municípios fora da capital seguem em pauta entre gestores e organizações civis.











