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Saída de Eduardo Leite reconfigura disputa eleitoral no Rio Grande do Sul Decisão do governador de não concorrer em 2026 provoca reorganização de estratégias entre partidos e pré-candidatos ao Piratini e ao Senado

Flavia Bemfica

A decisão do governador Eduardo Leite de não disputar as eleições de 2026, agora definitiva devido aos prazos do calendário eleitoral,  desencadeou uma nova fase de articulações políticas no Rio Grande do Sul. A ausência de Leite na corrida impacta diretamente tanto a disputa pelo Palácio Piratini quanto a composição das candidaturas ao Senado.

No campo governista, o principal efeito recai sobre o vice-governador Gabriel Souza, do MDB, que assume o protagonismo da pré-campanha. Já na oposição, o deputado federal Luciano Zucco, do PL, ajusta sua estratégia em um cenário mais aberto e imprevisível.

Embora fosse cogitado como possível candidato ao Senado, Leite também desistiu dessa alternativa. Mesmo com bom desempenho em pesquisas, pesaram fatores como a incerteza da disputa e o risco de uma derrota comprometer sua trajetória política. Avaliou-se que ficar sem mandato a partir de 2027 poderia ser menos prejudicial do que enfrentar uma eleição de alto risco.

Disputa sem favorito

Analistas apontam que o cenário eleitoral no Estado segue indefinido. A ausência de um nome dominante torna a disputa volátil, com possibilidades abertas tanto para o governo quanto para o Senado. A experiência recente das eleições de 2022 reforça essa percepção, mostrando que favoritismos iniciais podem se dissipar ao longo da campanha.

MDB mira segundo turno

Com Leite fora, o MDB intensifica esforços para levar Gabriel Souza ao segundo turno. A estratégia inclui ampliar a presença regional da chapa e atrair eleitores de outras siglas, especialmente do PP. Também fazem parte da articulação nomes como Ernani Polo (vice) e Frederico Antunes (Senado), além de Germano Rigotto, que busca fortalecer apoio na Serra Gaúcha.

A aposta do partido está na associação da imagem de Gabriel à atual gestão estadual, além do reforço do apoio público de Leite. Outro ponto explorado será a experiência administrativa do pré-candidato em contraste com adversários.

Influência da esquerda no cenário

Outro fator que pode influenciar a corrida é a indefinição entre PT e PDT. O PT lançou Edegar Pretto, enquanto o PDT apresentou Juliana Brizola. No entanto, há pressão para que uma das candidaturas seja retirada em favor de uma aliança.

Nos bastidores, aliados do MDB avaliam que a retirada do PT poderia beneficiar Gabriel Souza, ao reduzir a polarização e redistribuir votos do campo progressista.

PL aposta em vitória no primeiro turno

Já o PL trabalha com a meta de encerrar a disputa ainda no primeiro turno, apostando na vantagem inicial de Luciano Zucco. O partido consolidou previamente sua aliança e busca evitar a repetição do cenário de 2022, quando Onyx Lorenzoni liderou o primeiro turno, mas acabou derrotado por Leite na etapa final.

A estratégia inclui fortalecer a imagem de preparo da candidatura e ampliar a base eleitoral, especialmente entre eleitores conservadores.

Novo cenário político

Com a saída de Eduardo Leite, o tabuleiro político gaúcho entra em uma fase mais dinâmica e imprevisível. Sem um favorito claro, partidos e pré-candidatos ajustam suas estratégias em busca de espaço, enquanto alianças e definições ainda em aberto prometem moldar o rumo da eleição nos próximos meses.

Créditos: Correio do Povo

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