O Serviço de atendimento móvel de Urgência e Emergência SAMU 192, durante o mês de setembro atendeu 220 ocorrências, entre casos clínicos e casos traumáticos na cidade de Passo Fundo, a reportagem da Rádio Planalto conversou com a enfermeira responsável técnica do Samu Unidade Passo Fundo, Adriana Lourega, que mostra um panorama do atendimento na cidade:
Rádio Planalto (RD): O mês de setembro em relação aos outros meses aumentou o atendimento?
Adrina Lourega: No mês de agosto tivemos 214 atendimentos, esse mês de setembro aumentou um pouquinho. É muito relativo, pois cada mês é um mês, assim como cada plantão é diferente um do outro. As vezes realizamos de 2 a 4 atendimentos por plantão, outras vezes realizamos 14, 20 atendimentos. É muito relativo mesmo, pois não temos uma rotina de atendimentos.
Assim como cada ocorrência é única, nenhum acidente é igual ao outro, sempre muda, nossos plantões são assim também,e consequentemente cada mês pode-se mudar esses números. Única coisa que afirmo , é que nunca esse número baixou de 200 atendimentos ao mês, a não ser lá no único em 2011, quando iniciou o serviço do SAMU aqui no município.
RD: Como fica a situação do trabalho com os bombeiros, uma vez que a população liga no na ânsia de atendimento o 192 e 193:
Adrina Lourega: SAMU e Bombeiros atuam juntos, cada um tem o seu trabalho específico, mas ambos se completam. Os bombeiros possuem nosso contato telefônico direto com a equipe que está de plantão, e em algumas vezes eles nos ligam informando que se entrar um chamado em determinado endereço, eles já estão deslocando, e isso funciona conosco também, ligamos para a sala de operações deles e informamos que estamos deslocando em tal endereço. Se precisamos de apoio um do outro, fazemos esse mesmo contato telefônico. Hoje em dia a comunicação é fácil, usamos até mesmo nossos números particulares para nos comunicarmos, e também o WhatsApp, onde fazemos parte de um grupo em comum, que trocamos informações sobre ocorrências. Acontece sim, de mesmo com toda essa comunicação, nós nos encontrarmos em ocorrências, sendo assim, comunicamos nossa central que os Bombeiros já estão atendendo a vítima, e se não houver chamado para nós, ficamos ali e os ajudamos no atendimento, pois sabemos o quanto é válido ter mais um “par de mãos” para ajudar.
RD: Quanto tempo o SAMU atua em Passo Fundo?.
Adrina Lourega: O SAMU trabalha em Passo Fundo desde o dia 26 de Maio de 2011.
RD: Quantas ambulâncias ? Quantos funcionários
Adrina Lourega: A nossa equipe do SAMU é composta por 6 condutores socorristas, 5 Técnicos de Enfermagem, e 1 Enfermeira. Atuamos com apenas uma ambulância, que é a unidade de suporte Básico. Ao total são 12 funcionários, que trabalham na escala de 12X36 horas, de forma ininterrupta 24 horas por dia.
RD: Qual a maior dificuldade no atendimento. O que precisa melhorar?
Adrina Lourega: Uma das maiores dificuldades que encontramos são algumas pessoas mal educadas, que nos xingam, nos insultam devido a “tal demora” para o atendimento. Como todos devem já ter conhecimento, mas vale lembrar, O SAMU possui uma central reguladora, o qual sempre vai existir em qualquer cidade que houver o serviço do SAMU, seja em passo Fundo, e ou em Porto Alegre. Isso é uma questão da lei que regulamenta atendimento o Serviço de Atendimento pré hospitalar no país, o que de certa forma é fundamental para um bom andamento e segurança aos profissionais que trabalham no dia a dia.
Passo Fundo é regulada pela Central que fica em Porto Alegre. Quando alguém liga para o 192, o primeiro atendimento é realizado pela TARM (Técnico auxiliar de regulação médica), onde a são feitas perguntas de qual a emergência, cidade, endereço, ponto de referência, e número de vítimas em caso de acidentes.
Seguidamente a ligação será transferida ao médico regulador, o qual coletará algumas informações sobre o estado da pessoa que necessita atendimento, perguntas essas básicas, como se respira ou não, lesões que a mesma apresenta. Essas perguntas são básicas, pois seguido disso, o rádio operador acionará a equipe de plantão passando a ocorrência, com o número de vítimas, o que elas estão apresentando.
A equipe sai para atendimento, sabendo que vai atender por exemplo a pessoa de nome tal, vítima de tal coisa, apresentando as seguintes lesões. Já deslocamos da base até o endereço da ocorrência sabemos mais ou menos o que vamos encontrar, e isso faz diferença sim.
O problema é que algumas pessoas no momento de uma ligação ficam bastante nervosas, e não prestam atenção nas perguntas que estão sendo feitas, e ficam apenas literalmente “gritando”.
É compreensível, mas atrapalha e atrasa muito o atendimento. Sabemos que as vezes é demorado o atendimento telefônico, pois inclusive nós passamos pelas mesmas situações que diversas pessoas relatam, mas isso é porque a nossa central reguladora, atende mais de 230 municípios, ou seja, mais de 230 SAMUs, ligando apenas para uma central.
Outra questão que ficamos bastante preocupados, é quando já estamos em atendimento, e a central nos comunica que já tem por exemplo 2 chamados na espera. Infelizmente não temos como estar em 3 lugares ao mesmo tempo, pois quando iniciamos um atendimento, não podemos largar tudo e sair correndo para o próximo e então assim podemos realmente demorar para chegar.
E aí mais uma vez, contamos com o apoio dos Bombeiros, quando os mesmos também não estão em atendimento também, a central solicita apoio para eles. E se caso o SAMU e Bombeiros estiverem em atendimento, e ter chamado na espera, tem uma empresa privada que também nos presta apoio em atendimentos.
Uma ambulância apenas para atender um município com 200 mil habitantes, fica bastante sobrecarregada, porém realizamos o nosso melhor, para atender todas as solicitações. Um outro problema que enfrentamos, é quando não somos deslocados para algum atendimento.
Já vimos várias vezes manchetes em meios de comunicação dizendo que o SAMU não foi atender, que paciente foi a óbito devido a isso. Tudo atinge nós que estamos na frente do serviço, somos os mais “alvejados” pela população.
Comentários maldosos nos frustram, nos desanimam, sofremos com isso. Mas quando a ambulância não é acionada, nós nem ficamos sabendo. Jamais deixaremos de atender alguém quando somos solicitados. Fazemos muito bem o nosso serviço, não deixando a desejar nada. Apesar de muitas críticas ao nosso serviço, amamos muito o que fazemos, e fazemos com amor e paixão. A sensação do dever cumprido, salvar a vida de uma pessoa é inenarrável, sabe disso quem já pode experimentar essa sensação.
Apesar de muitos xingamentos, críticas, existem pessoas que nos dão a melhor recompensa do mundo, palavras de carinho, incentivo, abraços de agradecimentos. Muitas vezes somos abordados na rua, em qualquer lugar, onde pessoas chegam a até nós para nos agradecer.
E isso nos emociona e nos comove muito, por isso jamais desistimos e seguimos em frente, que vale a pena fazer este belo trabalho que é salvar vidas. E sempre que a população precisar, estamos prontos a atendê-los em qualquer lugar, qualquer situação, pois estamos preparados para isso.
Confira os casos atendidos pelo SAMU em Passo Fundo no mês de setembro:
Atendimentos de Casos traumáticos:
18 Colisões carro X moto
16 Colisões carro X carro
7 Agressões
6 Atropelamentos
3 Colisões carro X árvore
3 Quedas do telhado
2 colisões carro X bicicleta
2 colisões carro X bicicleta
1 Colisão moto X moto
1 Colisão moto X caminhão
1 Mordida de cachorro
1 Ferimento arma de fogo
1 Colisão carro X caminhão
Atendimentos Clínicos
22 Neurológicos (entre crises convulsivas e AVC)
22 cardiológicos ( Anginas, IAM, sendo que 4 desses atendimentos foram parada Cardiorrespiratórias)
17 Intoxicações Exógenas ( álcool, drogas, medicamentos, e desses 2 foram por fumaça)
16 psiquiátricos (surtos, pacientes esquizofrênicos, com transtorno bipolar, tentativa de suicído)
16 respiratórios (crises de asma, DPOC, enfisema pulmonar)
10 Hipoglicemias
8 Síncopes (desmaio, é a perda súbita e transitória da consciência e consequentemente da postura)
6 Obstétricos
3 Atendimentos no aeroporto por pacientes que se sentiram mal em viagem
2 Digestivos (hemorragias digestivas)
1 Choque anafilático ( hipersensibilidade que afeta o corpo todo a partir de reação de medicamentos)
Reportagem Álvaro Henkes
Fotos Arquivo Rádio Planalto