Uma técnica pioneira desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está reescrevendo o prognóstico de paralisias por lesão medular. O shihtzu Teodoro é um dos símbolos desse avanço: após perder os movimentos das patas traseiras, o animal voltou a caminhar ao participar de um estudo com a proteína polilaminina, que atua como uma “ponte biológica” para regenerar nervos danificados.
Fruto de 20 anos de dedicação da cientista Tatiana Sampaio, a pesquisa utiliza a polilaminina — extraída de placentas e potencializada em laboratório — para guiar o crescimento de células nervosas onde antes havia uma interrupção definitiva. No teste clínico com seis cães, Teodoro e outros três animais (66% do grupo) recuperaram a capacidade de locomoção após uma única injeção na coluna e seis meses de acompanhamento.
Os resultados em humanos são ainda mais expressivos. Em um estudo acadêmico com oito pacientes com lesão medular completa, a taxa de recuperação motora saltou dos 10% previstos na literatura médica mundial para 75% com o uso da proteína. Segundo a equipe médica, pacientes antes restritos à cadeira de rodas passaram a conseguir ficar em pé ou realizar exercícios em bicicletas passivas.
Atualmente, o tratamento caminha para a escala industrial através do laboratório Cristália, que já patenteou a fabricação. Embora ainda dependa de ensaios clínicos controlados para liberação geral pela Anvisa, a substância já é aplicada via “uso compassivo” — uma autorização especial para casos sem outras alternativas terapêuticas. Até o momento, 30 pessoas já obtiveram autorização judicial para acessar a terapia no Brasil.










