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Situação de abandono preocupa servidores do HBCS

O ano começou de forma preocupante para os servidores do Hospital Beneficente Dr. César Santos (HBCS), que foram surpreendidos com a falta do pagamento do salário relativo ao mês de dezembro. Muitos deles recorreram ao Sindicato dos Servidores Municipais de Passo Fundo – Simpasso, que foi até o HBCS na manhã dessa sexta-feira, dia 02, para buscar explicações da administração da autarquia que, no entanto, não estava dando expediente no primeiro dia útil de 2015. Mas não foi apenas a notícia do atraso no pagamento que surpreendeu o sindicato: os servidores revelaram o grau preocupante dos problemas relativos à estrutura física do local. São rachaduras, infiltrações e salas alagadas em locais que deveriam ser esterilizados, especialmente no posto 2 e no centro cirúrgico.

Sem dinheiro para a ceia

Os servidores relataram ao presidente do Simpasso, Marcelo Domingues Ebling, e ao secretário geral, Éverson da Luz, que o atraso no pagamento do salário deixou muitos colegas constrangidos e sem dinheiro nem mesmo para as festas de final de ano. Segundo Ivan Ferreira, “nunca ocorreu um atraso numa data tão importante, que são as festas de final de ano. O trabalhador atua com a intenção de receber o seu salário. Como nós desenvolvemos nossa atividade com responsabilidade, queremos que essa responsabilidade também seja para conosco, no sentido de receber em dia, pois sabemos que os recursos existem e não entendemos o porquê deste atraso”.
Angelise Balin, que também é servidora do HBCS, conta que precisou recorrer ao limite bancário para pagar os impostos de início de ano. “Tirei dinheiro do limite para pagar o IPVA e o IPTU com desconto. Tem relatos de colegas que tiveram que pedir dinheiro emprestado para fazer sua ceia de final de ano. É uma situação constrangedora, mas ninguém da administração sabe explicar e ficamos assim, com as mãos atadas”, conta.
O presidente Marcelo Ebling disse que o Simpasso esteve no HBCS em busca de explicações, já que tudo indica que a falha ocorreu na administração da própria instituição. “Estivemos aqui para buscar explicações, mas não encontramos o diretor do hospital. As explicações que aconteceram foram via meios de comunicações e através do prefeito. Acreditamos que o problema tenha sido causado por um ato falho da administração do hospital, pois está constatado que o erro não ocorreu por força da Caixa Econômica Federal, que é a instituição financeira que faz o gerenciamento do pagamento”. Para Ebling, “este fato causa perplexidade em todo o funcionalismo, pois houve um desrespeito muito grande em não procurar sanar em tempo hábil o erro na folha de pagamento e também não houve nenhuma informação por parte da gestão do hospital dizendo quais as verdadeiras causas para que isso tivesse ocorrido. Percebemos que houve um desrespeito muito grande”.

Estrutura comprometida e sinais de abandono

Durante a visita, os representantes do Simpasso ficaram abismados com a realidade estrutural do hospital, especialmente no tocante ao centro cirúrgico e ao posto 2. As rachaduras e infiltrações nas paredes e piso dão toda a impressão que o local está abandonado. Ivan conta que os trabalhadores do local temem “pelo pior, pois a estrutura está muito comprometida. Temos rachaduras de quase 5cm no prédio e não sabemos por quanto tempo poderá resistir. Isso causa risco para o trabalhador e essa é a nossa principal preocupação em relação à área estrutural”. Já Angelise revela que “infelizmente o bloco cirúrgico não pode atender como um bloco por causa das rachaduras, chove dentro da sala de material, em locais que deveriam ser estéreis. De longa data dizem que vão arrumar, mas não é solucionado esse problema. Fica perigoso para a gente trabalhar, além da situação dos pacientes que ocupam aquele espaço e correm risco juntamente conosco”.
O presidente do Simpasso afirma que a situação estrutural da autarquia é muito preocupante e dá a impressão de abandono. “Estamos abismados. Nos espanta que ao mesmo tempo em que a Administração anuncia o resgate de um alvará sanitário, nos deparamos com um cenário em que parece ter passado um terremoto, causando fissuras de fora a fora, comprometendo a estrutura do prédio. Isso coloca em risco os servidores municipais que labutam aqui diariamente, bem como os pacientes. Esse fato nos entristece, pois ao mesmo tempo em que é ventilado que tudo está bem, percebemos que dentro da unidade a realidade é completamente diferente”, explica.

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