Grupo Planalto de comunicação

Vamos trabalhar na vinha do Senhor!

Pe. Ari Antonio dos Reis

Ide trabalhar na minha vinha (cf. Mt 21,26)

Neste Domingo celebramos o Dia da Bíblia acentuando a importância da Palavra de Deus na vida e caminhada de fé do povo cristão. Pela Palavra, Deus propõe um diálogo amoroso com a humanidade em vista da sua salvação. Ao entrar neste diálogo a humanidade sente-se amada, cresce e se plenifica, pois se aproxima da santidade de Deus. Na liturgia dominical, quando a comunidade se reúne para celebrar o Mistério de Jesus Cristo, permite viver de uma forma profunda e celebrativa uma das dimensões deste diálogo.

Continuamos neste 26º Domingo do Tempo Comum acolhendo a catequese de Jesus sobre o compromisso com a vinha do Senhor (Mt 21, 28-32). A primeira leitura do texto de Ezequiel (Ez 18,25-28) introduz, de certa maneira, o tema do Evangelho. O texto foi escrito para os líderes do povo de Deus durante exílio na Babilônia e alertava diante do rompimento com a vontade divina. O profeta questiona se verdadeiramente era a conduta do Senhor que não era correta ou a conduta do povo que se constituiu rompida com a vontade de Deus (Ez 18,25) implicando consequentemente no Exílio. Aquele povo não viveu uma vida justa segundo os critérios de Deus.

No texto de Mateus, diferentemente do domingo passado, 25º Domingo Comum, quando falava aos discípulos, Jesus agora se dirige aos “sacerdotes e anciãos do povo”. Ele chegou a Jerusalém (Mt 20,28ss) e está nos arredores do Templo. É o território de domínio das autoridades judaicas, entre elas, os seus interlocutores, que agiam de forma diferente dos discípulos de Jesus. Os discípulos foram os homens que acolheram o chamado de Jesus e estavam fazendo com o Mestre um caminho de discernimento da proposta do Reino.  Eram os companheiros de caminhada do Nazareno, apesar das tensões desse caminhar.

Os sacerdotes e anciãos do povo eram lideranças reconhecidas socialmente, porém com um posicionamento totalmente adverso aos ensinamentos e gestos de Jesus. Recusavam-se a acolher a proposta de Jesus e agiam também para colocá-lo em situação difícil. Veja-se que não era uma atitude de indiferença, mas de afronta a tudo o que Jesus fazia e dizia, visto que Jesus descontruía a leitura social e teológica que tinham como certa e correta. A animosidade chega ao ponto de tramarem a morte do Filho de Deus. Na cidade de Jerusalém, nos arredores do Templo a tensão se torna explícita. Jesus, porém, não foge ao confronto. Conhecia seus adversários e não hesita em denunciá-los como segue na parábola contada.

Diante desse público, Jesus contou a parábola do pai e dos dois filhos. Segundo a parábola um pai tinha dois filhos. Pediu ao primeiro filho para ir trabalhar na vinha. Compreendemos vinha como a obra de Deus, fazer as coisas de Deus.  Este se negou, mais acabou indo. Pediu ao segundo para também ir trabalhar na vinha. Este disse que ia, todavia, não foi. E Jesus perguntou aos interlocutores qual teria feito a vontade do pai, ao que responderam, o primeiro. A resposta dada ao Filho de Deus foi fruto de um discernimento e de um posicionamento.

A partir do posicionamento, Jesus afirmou a primazia dos cobradores de impostos e prostitutas no Reino dos Céus. Eles foram capazes de fazer a vontade do Pai de coração aberto e sincero porque se converteram. O Filho de Deus também denunciou a atitude dos anciãos e sacerdotes que jamais estiveram abertos à proposta de conversão. Disse:  “porque João veio até vós, num caminho de justiça e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele” (Mt 21,32).

Vejam que, segundo os critérios sociais e religiosos da época, os anciãos e sacerdotes eram “pessoas de bem”, de reputação tão ilibada que dispensaram a profecia de João e agora combatiam Jesus. Para eles o convite ao trabalho na vinha não fazia sentido. Mesmo dando a palavra não foram trabalhar na vinha.  Os cobradores de impostos e as prostitutas, pessoas consideradas fora da salvação segundo os preceitos religiosos da época, humildemente abriram espaço para que Deus e sua justiça atuassem    em suas vidas e procuraram fazer a vontade do Pai, foram trabalhar na vinha. E isso se explicitou em atitude concreta.

É importante nos perguntarmos, em tempos atuais, se estamos dispostos a fazer a vontade do Pai, em trabalhar na sua vinha. Também se estamos dispostos a assumir os compromissos que este trabalho nos lega em comunhão com a vontade do Pai e não com as nossas vontades.

A atitude de atender o chamado de Deus há de ter Jesus como grande fundamento, como sugere a segunda leitura (Fil 2,1-11) deste domingo. Ele foi capaz de fazer-se humano e servo pela nossa salvação. É a atitude de serviço pela humanidade. Faz o caminho da humanidade para elevar a humanidade.

Ele sempre será o princípio, a referência e a finalidade da nossa ação enquanto pessoas de fé.

 

Pe. Ari Antonio dos Reis

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